<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588</id><updated>2011-04-21T17:30:15.104-07:00</updated><title type='text'>folhetimnanet</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>19</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-174613047370459420</id><published>2007-12-06T20:09:00.000-08:00</published><updated>2007-12-06T20:17:48.019-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#3366ff;"&gt;SEGUNDA PARTE.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Capítulo I.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          _E aí ilustre criatura! Esqueceu que o senhor tem que se arrumar pra dar aula enquanto eu aproveito a greve na universidade?&lt;br /&gt;            _Já tô indo.&lt;br /&gt;            _Ta escrevendo o quê?&lt;br /&gt;            _De quando conheci a mulher que me atormenta, sobre toda essa maluquice que nos cerca, e Tom Raiva e seu amor de Dirceu por sua Marília pós-moderna e esse tipo de coisa tão comum a todos nós e ninguém bota no papel.&lt;br /&gt;             _Só você, o grande artista que abdica das superficialidades de uma vida vazia pra se entregar a sua obra.&lt;br /&gt;              _Também te amo.&lt;br /&gt;              _Me deixe ler...&lt;br /&gt;              _Se sinta á vontade. Vai querer ouvir o quê enquanto examina a gênese do meu romance?&lt;br /&gt;              _Aquelas baladas de John Lennon. Gosto mais dele solo do que dos próprios Beatles.&lt;br /&gt;              _Ás vezes penso a mesma coisa, mas sinto falta do baixo de Paul como nos discos da segunda fase da banda.&lt;br /&gt;              _Adoro conversar contigo sobre música. Já te disse que sou eternamente grata a você por toda a riqueza musical de nossa vida?&lt;br /&gt;                _Por que a senhora ta assim tão meiga?&lt;br /&gt;                _Deve ser saudades. Quando fico longe de você sinto um amor que até você iria se assustar. Quero que se sinta amado pra não olhar pras burguesinhas do cursinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                  _Eu posso até olhar, mas aí eu comparo e esqueço.&lt;br /&gt;                  _Sempre espertinho. Me beija!&lt;br /&gt;                  _Vem você – E ela me encarou com uma nabokovica expressão de ninfeta, de moleca traquina deitada no sofá e eu acabei indo para o beijo. Sempre cedia.&lt;br /&gt;                Muitas vezes me sentia uma mulherzinha perto dela. Tinha certeza do seu domínio sobre mim, contava os minutos pra ela voltar como uma espécie de Penélope ou francesinha enamorada da Primeira Grande Guerra que esperava a volta do amado que sangrava até a morte no front. Fico pensando o que essa criatura viu em mim. Ela poderia ter qualquer homem que quisesse e escolheu Rafael de Oliveira. Será que ela realmente acredita no que escrevo? Sempre que penso essas coisas fico imaginando o dia no qual Lua me dará um pé no rabo e me lembrarei de agora sem saber se terei coragem suficiente pra me reerguer depois do alcoolismo praticamente certo após o abandono. Ela ta tão carinhosa que penso em não trabalhar, mas lembro que não ganho nada escrevendo e que a dona do cursinho ta de marcação a quadra inteira comigo nesse baba.&lt;br /&gt;                Beijei-a como deveria ser a nítida separação entre a doçura daqueles lábios e a amargura de ter que trabalhar. Coloquei John Lennon pra tocar, mudei a camisa sem tomar banho e fechei o baseadinho que facilitaria o meu convívio social me afastando das pessoas em direção ás profundezas de mim.&lt;br /&gt;              Mas hoje é um dia bom. Vou passar ás duas aulas declamando versos e comentando Augusto dos Anjos no cursinho. Poesia sem igual pra seres praticamente iguais. Pequenos imbecis imberbes que acreditam em lorotas mortas, em idéias mais falidas que seus próprios instintos. Meus alunos sonham com todo o glamour de dirigir o carro da propaganda com uma loira parecida com a do comercial e que o caminho dessa felicidade começa ali no cursinho que os levará a promissora carreira e a toda sorte de luxo e tecnológica quinquilharia que nos transforma em escravos daquilo que criamos: títeres de nossas invenções.&lt;br /&gt;              E as garotas querem mais que aquele cara que dirige o carro e sorri pra loira do mesmo comercial. Por isso elas procuram, até mesmo nas meninas e vem e vão como verdadeiros anjos do dia do Juízo Final, asfixiando as almas dos homens numa maquiavélica vingança contra toda a sorte de infortúnios e privações sofridas por suas ancestrais na masculina história desse planeta. E tem também os veados separados em duas categorias: a dos que dão o rabo e falam como meninas e a dos que dão a porra do rabo e falam como meninos. Os que se vestem como meninas não freqüentavam o cursinho, ainda era Salvador.&lt;br /&gt;            Mais eram praticamente iguais. As meninas se dividiam em patricinhas que se vestiam idênticas e hippies-chics de playground que se vestiam também iguais em seu estilo. As calças apertadas e saias e shortinhos justíssimos das patys era coisa bonita de se ver, enquanto a transparência e a delicadeza das saias longas das maluquinhas eram melhores de tocar.&lt;br /&gt;        É foda, quando começa a bater onda fico devaneando demais. Tenho que colocar a calça, calçar sapatos e lembrar do aquecimento global e da emissão dos gases poluentes enquanto infinitos carros consomem a velha D. João VI. Jogando a bagana no vaso sanitário, imagino a noticia de ontem no telejornal enquanto lanchava na padaria. Eles diziam que uma proposta para reduzir o aquecimento global seria colocar espelhos em órbita da terra para refletir os raios que sempre nos deram a vida e a morte. Será que o sol precisa de alguma vaidade enquanto nos governa? Com todos esses espelhos ainda veríamos a lua? O grande processo civilizatório não pode parar, até que tudo seja cinza; céus, mares, árvores e todos os nossos corações. Eu realmente gostaria de saber se a porra do poder é uma droga tão viciante assim. Não, não quero saber nada disso. Deixe-me viver os meus dias como uma espécie de discípulo de Alberto Caeiro que anda de automóvel pra se distrair da ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Capítulo II.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Ontem cheguei atrasado e já tô quase atrasado hoje. O busu parece que não anda, uma mulher estende o braço pra perguntar se passa na Vasco da Gama, um senhor de idade desce lentamente e parece que todos os sinais se fechavam quando o ônibus se aproxima. Acho que hoje peço demissão e ela vai aceitar. A desgraçada pode achar alguém que venda literatura mais barato, mas os alunos me adoram. Nunca tive grandes problemas com alunos ao longo de minha carreira como professor. Talvez todas as horas dedicadas á analise da alma do homo sapiens durante minha vida tenham ajudado a enxergar previsibilidade nas ações consideradas mais inusitadas. Eu vejo a vida como um arquétipo, os comportamentos como caricaturas; tudo cristalizado, solidificado em algo individualmente universal qual toda gama de desejos que nos cerca. Queria ser menos humano. Desprovido de ciúmes, saudades, empáfia, medo, certeza, dúvida e angustias. De que adianta me questionar sobre o ciúme que senti ao ver Luana sair vestida de forma provocante se a porra do sentimento egoísta já corroeu minhas entranhas? Pelo menos posso esconder a cobiça e fingir que leio um livro. Será que o fato de sermos racionais consegue fazer com que soterremos todas as sensações mais primarias de forma satisfatória? Claro que não seu estúpido, senão os bares, igrejas e sanatórios não estariam sempre apinhados de gente assim.&lt;br /&gt;       Pedi ponto e pra minha sorte, o professor de química ainda tava na sala. Passei na barraquinha da frente pra comprar pastilhas desbarrunfadoras e, quando entrei, além da megera não estar no curso, o professor de química que era novato e queria mostrar serviço, perguntou se podia usar quinze minutos de minha aula e, é claro, consenti.&lt;br /&gt;       Pela primeira vez podia sentar, beber água, conversar com a secretária e pensar se declamaria Versos Íntimos ou Solilóquio de um Visionário pra ambientar aquelas mentes com a poética de dos Anjos. Por mais que gostasse dessa parte do meu trabalho, detestava ter que trabalhar. Cumprir horário sempre foi um sacrilégio pra mim, mesmo sabendo que milhares de trabalhadores saem de casa de madrugada e retornam no meio da noite pra comer, procriar e desabar. Já perdi alguns empregos devido a esse lance de horário. Entre ensinar Língua Inglesa, Gramática da Língua Portuguesa ou Literatura Brasileira, é melhor ficar com a última opção apesar da merreca que me pagam. Devia fazer um mestrado pra ensinar nas faculdades, mas quando penso em ter que estudar novamente algo preestabelecido e enquadrar minha escrita dentro dum padrão científico começo a desistir rapidamente, sou meio preguiçoso e presunçoso. Prefiro escrever pra que escrevam sobre mim ao invés de ter que me esforçar pra citar alguém que legitime o que escrevo. Acho que consigo pensar sem muletas.&lt;br /&gt;         Será que Lua ta lendo meus escritos? Ela ainda ta ouvindo Lennon? Será que ta pensando em mim? Quanto tempo mais vou poder devanear enquanto não começo a dar aula?&lt;br /&gt;         Meu tempo acabou. O professor saiu da sala se desculpando pelo horário e os alunos saíram pra beber água, fumar um cigarro e esticar as pernas. No fundo eles também não queriam estar ali. Ou será que queriam? Já se questionaram a respeito? É bom deixar quieto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Capítulo III.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;          Praticamente na porta do cursinho, só que do outro lado da rua, encontrei Flávio, o grande brother de Tom Raiva e meu amigo também. Esse personagem tem uma importância brutal na vida de Tom. Seu Flávio, uma criatura que fazia bacharelado em biologia, branco, loiro, forte, de olhos verdes, fanático por Bob Marley, Jiu-Jitsu e Basketball, conhecedor e cultivador de diversas espécies de cannabis para uso pessoal, megalomaníaco ao extremo e profundamente apegado a estética das mulheres malhadas com o rabo imenso, deu uma volta certa vez com o velho Raiva. Nessa noite eles saíram com duas belas mulheres de Brasília que visitavam Salvador e, depois da bebedeira, quando todos estavam embriagados no mesmo quarto de Motel, uma das garotas, ao comparar o magérrimo corpo de Tom com o físico hipertrofiado de Flávio, deixou no ar a seguinte expressão: diferença básica!&lt;br /&gt;     Foi a partir desse dia que o cara se sentiu feio, pequeno, ínfimo e começou a malhar, nadar, tomar suplementos e anabolizantes, treinar Jiu-Jitsu e abdicar dos efeitos anestésicos do álcool e da cocaína em busca de uma vida mais saudável, mas continuava fumando maconha a toda hora. Aí fudeu tudo! A cada dia ele vinha com aquela conversinha de que era o retorno do homem completo; versado na arte, no amor, na ciência e na guerra. Seus amigos músicos, pintores e poetas diziam que ele tinha ficado bufado, que tinha aderido ao sistema e essas ondas. Mas, mesmo assim, os escritos dele eram cada vez melhores e ele dizia o seguinte: “Meu velho, as garotas são como poesia, possuem conteúdo e forma. Com a melhoria da minha forma física comecei a buscar poemas com maior perfeição estética, linearidade nas curvas, ritmos frenéticos e silhuetas melindrosas. Melhoraram as musas, ergueram-se os poemas.”&lt;br /&gt;       Quando encontrei Flávio dava pra notar que o cara tava alucinado.&lt;br /&gt;          _E aí seu Flávio, que cara é essa?&lt;br /&gt;          _Tomei um doce na casa de meu primo e tô aqui derretendo – A expressão do cara era um misto de alienante felicidade, dúvida e susto.&lt;br /&gt;          _Vai fazer o quê agora?&lt;br /&gt;          _Vou pra república.&lt;br /&gt;          _Que república?&lt;br /&gt;           _República do reggae – O cara não perdia nenhum show de reggae em Salvador.&lt;br /&gt;           _Ta afim de ir Rafa? Ainda tem metade de um AC aqui.&lt;br /&gt;           _Não vou não, Lua ta em casa me esperando.&lt;br /&gt;           _Largue essa vida e essa fobia do ser humano. Você ta virando um sociopata.&lt;br /&gt;           _Pare com isso.&lt;br /&gt;           _Valeu man, vou pegar esse busu.&lt;br /&gt;           _Valeu – nos cumprimentamos com esse cumprimento chocando as mãos fechadas uma contra a outra, ele pediu ponto, subiu no ônibus e eu notei que ainda tava viajando e pensei nas coisas que ele me disse. Será que tô virando um sociopata mesmo? Talvez não seja hora de voltar a vida normal? Eu já tive vida normal? O que é normal ou anormal?&lt;br /&gt;           Agora tenho que dar aula no curso de Inglês na Graça. O dono do curso é um americano gente boa que não pega no meu pé e ainda me paga o dobro do que a dona do pré-vestibular pagava, só que eu achava um saco ter que ensinar inglês, mas lembrava dos intelectuais condenados a trabalhos forçados após a revolução socialista chinesa e repetia pra mim mesmo que essas duas horas passariam como água pela garganta.&lt;br /&gt;          Ajudem fieis leitores, divulguem meus escritos, vendam, peçam o número da minha conta para doações em dinheiro, mas façam qualquer coisa pra que eu possa viver de literatura. Meu Deus! Estou pedindo esmola em meu próprio romance! Bukowski teve que trabalhar treze anos nos correios para que enfim, vocês o encontrassem, Fernando Pessoa a vida inteira como mero funcionário de escritório, Genet precisou do aval de Sartre prestes a ser condenado. Será que vai ser necessário estourar os miolos pra que meus escritos tenham algum valor de mercado? Será que tenho que falar sobre legiões de seres extraterrenos e códigos secretos da NASA?&lt;br /&gt;             Vale dos Rios/Stiep R-3. Esse é meu Ônibus. Ainda tenho cerca de vinte minutos em liberdade antes do good evening na entrada da sala de aula.&lt;br /&gt;             &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Capítulo IV.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;       Em mais uma odisséia imaginária particular num ônibus qualquer de Salvador, metamorfoseado no super vendedor de língua inglesa, vestido de camiseta gola pólo azul-claro, calça jeans-escuro, e um tênis qualquer de alguma grife certamente americana, com minha pasta de couro preto contendo módulos, cds, livros e provas, lia o caderno de anotações do meu bom e velho amigo Tom Raiva. Uma espécie de diário escrito à mão, melhor descrevendo, rabiscado à mão. Peguei o caderno e disse ao figura que ia digitar o que conseguisse entender. Aí vão algumas reflexões do cara enquanto a maldita hora do &lt;em&gt;Good Evening&lt;/em&gt; não se aproxima:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;13 de Junho – Essa data tem um significado especial para mim além de ser dia de Santo Antonio, padroeiro de Alagoinhas. Eu estava lá na festa quando tinha quinze anos. Música, quermesse, parque de diversões, comida junina e, nas proximidades da concentração do time da Catuense, Gracinha, uma de minhas primeiras namoradas, chupou minha pica pela primeira vez. Eu gostei demais daquilo. Gostei tanto que acabei enchendo a boca da guria de esperma e ela bebeu, fez uma cara de tristeza, levantou e depois vomitou uma mistura de sêmen, coquetel de frutas e maçã do amor. Observei alguma poesia naquele mosaico de cores complementares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   23 e 24 de Junho – Véspera e dia de São João. Essa sempre foi a melhor festa pra mim. Desde quando era um guri de playground e ia passar a data em Alagoinhas na casa de Minha avó materna. Os fogos, as comida e os trajes típicos, a melancolia do forró e do baião, os licores de sabores variados sem esquecer do jenipapo, dançar colado, beijar colado. Ah...! Se fosse possível morrer colado. Que saudades do meu velho forró pé de serra sem instrumentos eletrificados e vadias com roupas de strippers. Que saudades de meu primeiro grande amor consumido por devaneios babilônicos. Que falta sinto do São João em Serra do Aporá meu amor, dos meus ciúmes juvenis e de toda a doçura que havia em teu olhar. Não o que você se tornou após esses dez anos, mas aquela menina de dezenove que me fez decolar para um mundo de incertezas sempre será amada por mim. Será que ainda seria a mais bela do universo? Meu Deus porque não esquecemos. Cristo! Abra algum portal pra essa dimensão aparentemente perdida pelo tempo, eu preciso voltar e sentir, com todos os meus órgãos do sentido, a fatalidade daquela noite lá em casa em 96 quando você me acordou vestida com minha blusa e somente com ela. Ainda gosto do São João. Pelo menos posso beber de graça, fumar bagulho na rua em meio a fumaça das fogueiras e, quem sabe, algum licor de cajá dum próximo São João em Cachoeira, me faça esquecer os memoráveis Sãos Joãos de outrora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   4 de Julho – Lembro da independência do Tio Sam e da minha fase Marxista e o movimento estudantil e as discussões rumo a lugares comuns e as bocetinhas. Sempre havia alguma por trás de cada passeata no sol insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  6 de Julho – Meu aniversário. Tem tempo que parei de comemorar essa data. Nunca entendi porque as pessoas chegam a ponto de congratular uma outra por caminhar mais perto da sepultura. Desde o fim da infância e dos presentes, essa data passou a soar falsa e superficial. Geralmente nada de interessante me acontecia nesse dia e comecei a esconder a data e a me esconder nessa hora.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;    É bem possível que ainda divulgue algum pensamento do velho Raiva nesses escritos, mas enquanto esse momento não chega, percebo que faltam dois pontos para o meu. Não há mais tempo, não tinha como escapar. Era chegada a deplorável hora do &lt;em&gt;Good Evening.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-174613047370459420?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/174613047370459420/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=174613047370459420' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/174613047370459420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/174613047370459420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2007/12/segunda-parte.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-6716055637143038125</id><published>2007-11-04T10:49:00.000-08:00</published><updated>2007-11-04T10:59:58.232-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; Capítulo XVII.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       A porra do celular não parava de tocar. Detesto ser acordado. Deixei tocar, mas insistia e, quando atendi, ouvi aquela voz feminina perguntando:&lt;br /&gt;      _Alô! Sabe quem ta falando?&lt;br /&gt;      _Alice?&lt;br /&gt;      _Não.&lt;br /&gt;      _Sofia?&lt;br /&gt;      _Ta tão cotado assim é?&lt;br /&gt;      _Vai logo, fala quem é de uma vez por todas.&lt;br /&gt;      _Se você não identificar minha voz o quanto antes, vou começar a questionar minha atitude, desligar o telefone e esquecer tudo o que você falou. Ou você anda declamando poemas pra todo tipo de mulher no meio da rua?&lt;br /&gt;     Jesus Cristo! Era ela! Como voltar a terra, evitar um colapso e, ao mesmo tempo dar uma resposta convincente num espaço de dois segundos? Aí ela insistiu:&lt;br /&gt;         _Que foi, ficou mudo?&lt;br /&gt;         _Não. Tô tentando me acalmar.&lt;br /&gt;         _Então, vai responder a minha pergunta?&lt;br /&gt;         _Qual?&lt;br /&gt;         _Se você sempre declama poes...&lt;br /&gt;         _Só quando é a mulher dos meus sonhos.&lt;br /&gt;         _E eu sou essa mulher?&lt;br /&gt;         _Tem alguma dúvida?&lt;br /&gt;         _Infinitas.&lt;br /&gt;         _Me dê uma chance de te mostrar.&lt;br /&gt;         _Que horas?&lt;br /&gt;         _A hora que você quiser.&lt;br /&gt;         _Ta assim é? Não trabalha nem estuda não?&lt;br /&gt;         _Nada é mais importante do que ser agraciado pela sua luz.&lt;br /&gt;         _Quando tiver pronta te ligo. Você tem carro?&lt;br /&gt;         _Nem sei dirigir.&lt;br /&gt;         _Quando ligar agente marca em algum lugar. Como é que um homem desse não sabe dirigir?&lt;br /&gt;          _Mas sei outras coisas.&lt;br /&gt;          _Um dia eu te ensino a dirigir.&lt;br /&gt;          _Lua meu bem, não fale em futuro, ele é só uma suposição. Deixa só ouvir a sua voz e ser feliz.&lt;br /&gt;           _Valeu! Depois te ligo.&lt;br /&gt;           _Ligue!&lt;br /&gt;           _Beijos!&lt;br /&gt;           _Outros!&lt;br /&gt;        Ela desligou e eu comecei a andar pelo quarto querendo ordenar as idéias e correr e sair gritando e esqueci universidade, trabalho, a hora do almoço, meu avô de câncer, o aviso de corte da empresa fornecedora de energia, que eu era alguém, que tinha uma história e que era uma entidade no universo.&lt;br /&gt;       Só havia aquela criatura em meu olhar. Meu deus, nem dormi com ela e já estou alucinado. É melhor manter o controle e recarregar o celular. Tenho que bater uma gelada ou então terei uma úlcera de ansiedade á espera de um telefonema.&lt;br /&gt;       Há certos momentos nos quais chego a acreditar que é bom, muito bom viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Capítulo XVIII.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;        Vou trocar uma idéia com meu bom e velho amigo Tom Raiva, ver o que anda escrevendo, se está sofrendo. O cara sabe sofrer por um grande amor e seus poemas revelam esse dado. Vou aventurar se ele ta em casa. O cara não gosta de celular, TV, internet, shopping center, vizinhos, sorrisos de cordialidade, imagens sacras, monóxido de carbono, a entonação de ritos tibetanos, comida americana, os imensos seios e a falta de bunda das mulheres do Tio Sam, o hino nacional, estupradores, ladrões e assassinos, pessoas do senso comum, intelectuais, artistas que se acham artistas, encontros de escritores, quem não conhecia Hendrix ou Rimbaud, carros de corrida, moda, estilo, meninos do rock, bolacha recheada, os signos do zodíaco á exceção do signo de câncer, fita do senhor do bom fim, acarajé e azeite de dendê, evangélicos, budistas, mulçumanos, católicos, judeus e qualquer gatinha que não caísse em suas mentiras. As que fingiam que caíam no seu papo sempre mereciam um poema. As que o amavam de fato nunca mereceram uma linha e isso ele justificava com Ciranda de Drummond.&lt;br /&gt;         A casa do maluco era no final do Feira VI, quase na divisa com o Pau-de-Légua e, pra minha sorte, a criatura estava em casa na frente da máquina de datilografar, ouvindo o lado B de Tattoo You com um baseado na boca sem se tocar que dava pra ver todo o interior de seu coió por uma fresta do portão, aí eu gritei:&lt;br /&gt;           _Ô Tom!&lt;br /&gt;           _Peraí! – E fez um sinal com as mãos, parecia que estava inspirado. Nunca escrevia sem estar iluminado. Escrever pro cara nunca foi trabalho, era apenas uma forma de transformar toda aquela angústia e exacerbada sensibilidade em algo concreto. Levantou, tirou o papel da máquina, abriu o portão e veio com esse poema saído do forno:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Que todas as clarezas sumam dos teus olhos&lt;br /&gt;Freqüentemente cegos para mim&lt;br /&gt;Em sussurros e água limpa&lt;br /&gt;Pura, incongruente e fria&lt;br /&gt;E dispenso teu sorriso&lt;br /&gt;E abomino o seu perdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se tive seu amor&lt;br /&gt;Se te perdi&lt;br /&gt;E se as ondas do naufrágio&lt;br /&gt;Que ninguém viu,&lt;br /&gt;Nem mesmo você,&lt;br /&gt;Teimam em banhar&lt;br /&gt;O céu, a lua e a sujeira&lt;br /&gt;Dos teus pés descalços?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E temos que andar&lt;br /&gt;Testemunhas de sonhos que agonizam&lt;br /&gt;Prontos pra se enveredar&lt;br /&gt;Por nova esperança,&lt;br /&gt;Noutro milagre&lt;br /&gt;E finda&lt;br /&gt;Lento,&lt;br /&gt;Só, incerto, mas sincero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cada estrela-cadente&lt;br /&gt;Eu gritava o teu semblante&lt;br /&gt;Esperando misericórdia&lt;br /&gt;De algum deus que compreenda&lt;br /&gt;Que não há como esquecer&lt;br /&gt;Ou simplesmente&lt;br /&gt;Prosseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa a vida bater&lt;br /&gt;E açoitar os nossos corpos&lt;br /&gt;Sem que peçamos ao meteorito&lt;br /&gt;Que fingia ser estrela que caía&lt;br /&gt;E cortava o meu vazio&lt;br /&gt;E consolava meus cabelos.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;       &lt;br /&gt;        Dava pra notar que, enquanto eu irradiava alegria e expectativa com Luana, meu amigo sofria de fato. Aí eu tive que perguntar:&lt;br /&gt;          _ Meu caro, quem pode merecer esses versos?&lt;br /&gt;          _Se eu contar você não vai acreditar.&lt;br /&gt;          _Conte logo essa merda e pare de xurumelas.&lt;br /&gt;          _Qual foi a mulher que eu sempre achei a mais bonita da UEFS e tinha que sair de perto dela pra não começar a babar?&lt;br /&gt;           _Marília?&lt;br /&gt;           _Consegui meu caro, parece som na voz de Cássia Eller: “O amor me pegou e eu não descanso enquanto não pegar aquela criatura”. E peguei.&lt;br /&gt;            _Mas Marília...&lt;br /&gt;            _Eu sei que ela também gosta de menina, mas isso não chega a amedrontar.&lt;br /&gt;            _Mas deveria. Lembro que uma vez estávamos no bar de Zé Burugudú e Marília passou com aquele semblante magnífico que mais se assemelhava a uma índia norte-americana. Apache ou siuxie, sei lá. Aí você olhou para o céu e exclamou: “meu Deus, quando terei uma dessas?”.&lt;br /&gt;             _Meu brother, tinha me esquecido desse detalhe.&lt;br /&gt;             _Agradeceu ao ser supremo?&lt;br /&gt;             _Vou fazer isso agora – E se ajoelhou no quintal e começou a berrar pedindo obrigados e mais obrigados. E começou a chorar e me disse:&lt;br /&gt;              _Sabe aquele momento no qual toda essa porra começa a dar alegria, que você esquece de comer ou se olhar no espelho e que e toda sua vida parece subsistir a esse instante? Meu amigo, nunca usei droga mais viciante que aquela guria, perfeição de químicas feromônicas, toque incomparável, irresponsabilidade e leveza...&lt;br /&gt;             _Calma porra, você não já sabe como essa onda toda é ou sua percepção só serve pra escrever versos?&lt;br /&gt;              _Mas ela parecia que estava amplamente ligada a mim, foram seis dias consecutivos de loucura, entrega e abnegação.&lt;br /&gt;               _E ela sentiu isso?&lt;br /&gt;               _Pelo que ela me disse, acho que sim - E começou a se levantar e limpar os joelhos.&lt;br /&gt;               _Esqueceu uma coisa?            &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                _O quê? – E colocava os óculos escuros e as lágrimas desciam sob a lente.&lt;br /&gt;               _Marília tem quantos anos?               &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;               _Vinte e um.&lt;br /&gt;               _Entenda que essa geração é completamente descrente na profundidade de sentimento, tem que ser tudo bem superficial com pitadas de pós-modernidade. Perderam a capacidade de amar. A covardia de se entregar é inerente a essa contemporaneidade. Viveram a deterioração da relação dos próprios pais. Mas de que adianta te dizer tudo isso se a palavra nos traí e nada poderia definir esse surpreendente estado de espírito?&lt;br /&gt;                _Sempre gosto de falar contigo, depois de tudo ela me disse que não sabia ao certo o que estava sentindo, que ao mesmo tempo queria ficar comigo e me mandar ao inferno.&lt;br /&gt;                _Será que a lua hétero dela está murchando?&lt;br /&gt;                _Sei lá, não queria fazer suposições, só queria que ela voltasse. A vida sem ela passou a ser bem pior que antes de tê-la.&lt;br /&gt;                _ Deve ser muito difícil morar na terra pra quem viveu o paraíso.&lt;br /&gt;                _Rafa, como é que tudo pode ser, ao mesmo tempo, escuridão e luz?&lt;br /&gt;                _Nada é mais barroco que a vida velhinho. Fico aqui te dizendo o que você sempre me disse a vida inteira, parece que sou uma espécie de Platão que retorna todo o pensamento ao próprio Sócrates.&lt;br /&gt;                 _O que você acha que pode acontecer?&lt;br /&gt;                 _Nessa sua história?&lt;br /&gt;                 _Sim.&lt;br /&gt;                 _O amor não merece opinião alheia.&lt;br /&gt;                 _É verdade...&lt;br /&gt;                 _O passado meu caro, só existe quando, no presente, somos atormentados por marés de delicias que nunca voltariam. E o futuro? Até as necromantes fazem suas previsões dentro do presente.&lt;br /&gt;                  _ “quem não tem presente se contenta com futuro”, mas meu presente sem ela é uma merda.&lt;br /&gt;                  _Vamos bater uma gelada?&lt;br /&gt;                  _Demorou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Capítulo XIX.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              É mais que evidente que tivemos que torrar um back que não tinha mais tamanho antes da cerva e, enquanto nosso amigo fechava a massa, ele veio com as habituais brincadeirinhas:&lt;br /&gt;                _Já fumei Marília umas cinco vezes essa manhã.&lt;br /&gt;                _E o gosto é bom?&lt;br /&gt;                _É sério, enquanto ela não aparece sem avisar, fico como um cão à espera do cio de sua fêmea. Cachorro que trata, aperta e fuma incessantemente até que ela chegue. Preciso fazer algo pra distrair a mente. As baladas do Led estão terminantemente proibidas.&lt;br /&gt;              Fumamos e continuamos a conversa até o bar de Zé.&lt;br /&gt;                 _Ela gosta de boa música?                 _Gosta, só que ainda está engatinhando.&lt;br /&gt;                 _Porque só o seu conceito estético que é elevado?&lt;br /&gt;                 _Peraí, ou daqui a pouco você vai vir com aquele papo medíocre de que é tudo uma questão de gosto.&lt;br /&gt;                  _Menos...&lt;br /&gt;                  _.Zé!Traz uma véu de noiva na moral.E aí, naquele dia? Como foi seu encontro com minha professora?&lt;br /&gt;                  _Terrível! Me apresentei, mas ela disse que era casada – Eu sempre fui meio supersticioso, nunca revelava nada sobre uma mulher até que ela ofegasse sob meu edredom. Nem mesmo pra um grande amigo, ainda mais um amigo que se encontra perdidamente alucinado por uma criatura inconstante e belíssima que pode leva-lo a insanidade.&lt;br /&gt;                  _Eu não te falei sacana que ela era casada?&lt;br /&gt;                  _Da próxima vez vou te ouvir com mais atenção, mas eu passei grande parte de meus dias te ouvindo, filho da puta! Uma hora temos que agir por nossos próprios calcanhares.&lt;br /&gt;                   _Ok. Esse celular que ta tocando não é o seu?&lt;br /&gt;                   _ É, é o meu – Atendi, mas era uma funcionária do setor jurídico da empresa de cartão de crédito que eu tinha dado o calote e ela perguntou:&lt;br /&gt;                    _Com quem falo?&lt;br /&gt;                    _Rafael de Oliveira.&lt;br /&gt;                    _Bom dia senhor Rafael. Aqui é do sistema jurídico da mastercard. No momento consta uma dívida em aberto no valor de 2700 reais em seu nome. O senhor gostaria de parcelar esse valor?&lt;br /&gt;                     _Espere um pouco – disse o que se passava e passei o celular pra Raiva que começou:&lt;br /&gt;                     _Sabia que você tem uma bela voz?&lt;br /&gt;                     _Senhor, esta conversa está sendo gravada.&lt;br /&gt;                     _Você deve ser daquelas advogadas burguesinhas que se formaram em faculdades particulares e acreditam que existe lei até pro orgasmo. Só transa com gente de seu estrato social. Algum juiz, desembargador ou promotor que faz você se sentir um lixo depois de se vender.&lt;br /&gt;                       _E aí Tom, que é que ela ta falando?&lt;br /&gt;                       _Deu bom dia e desligou.&lt;br /&gt;                 Assim que Tom me entregou o telefone, ele começou a tocar em minha mão. Deixei chamar mais um pouco pra que não transparecesse que aquele telefonema era a coisa mais importante de minha história recente. Era ela:&lt;br /&gt;                       _Ta onde seu maluco?&lt;br /&gt;                       _No abominável mundo do Feira VI.&lt;br /&gt;                       _O que você sugere?&lt;br /&gt;                       _Minha casa.&lt;br /&gt;                       _Tem garagem?&lt;br /&gt;                       _Tem.&lt;br /&gt;                       _Assim que chegar aí te dou um toque. Beijos!&lt;br /&gt;                       _Infinitos!&lt;br /&gt;                    Ela desligou e eu esvaziei o copo como água, e a curiosidade de nosso amigo se manifestou:&lt;br /&gt;                        _Quem é essa Rafa capaz de deixar sua cara com essa débil expressão de felicidade?&lt;br /&gt;                        _Depois te conto.&lt;br /&gt;                        _Já sei, se me contar não vai dar certo, você tem que comer a criatura primeiro, mas aí quando vale a pena, o senhor transforma em prosa.&lt;br /&gt;                        _Meu velho, tenho que vazar agora, depois agente se fala. Vou deixar essa paga.&lt;br /&gt;                         _Ta vendo? Seu velho amigo na fossa e você o abandona por uma carne mijada. Elas são capazes de fazer o mundo girar, eu sei.&lt;br /&gt;                         _E eu vou girar junto com o mundo. Vou nessa.&lt;br /&gt;                         _Valeu.&lt;br /&gt;                         _Gostei do poema.&lt;br /&gt;                         _Só!&lt;br /&gt;                  E saí em disparada sem nenhuma misericórdia de meu camarada. Nossa dor é artigo de uso pessoal e intransferível. E pensava em Lua sem ouvir o som dos meus passos e pensava no fim. Pare de tragédia, o lance nem rolou e você já sente que vai acabar? Mas tudo tem um fim, não tem?&lt;br /&gt;                  O que foi que terminei de dizer? Que só existe o presente, então vou tratar de viver esse instante. Sentido, carreira, prestígio, ideologia, crença e qualquer outra concepção que queiramos dar a essa árvore da vida não possui significado algum. Se a humanidade pudesse perceber a grandiosidade de amar. Parece papo meio hippie, mas fazer o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Capítulo XX.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Porra, ela já ta chegando e a casa ta um lixo. Eu tinha alguns minutos pra comprar papel higiênico, uma vez que só pegava os dos banheiros da UEFS, limpar o banheiro superficialmente jogando detergente no vaso, organizar a pia da cozinha e esconder no quintal os pratos e copos que são verdadeiras colônias de fungos, sem falar das baganas e sementes e talos e pedaços de seda espalhados por toda a casa. Nunca contava a uma mulher que fumava maconha antes de ter a plena certeza de que ela aceitaria até mesmo um homicídio. Ou o leitor esqueceu da gatinha de pedagogia alguns capítulos acima?&lt;br /&gt;        Como assassinar o tempo até ela ligar? Tenho que fazer a barba, tomar banho, cortar as unhas e escovar os dentes pra diminuir esse barrunfo. Não, tenho mesmo é que ir ao mercadinho comprar um papel higiênico e uma pastilha extraforte.&lt;br /&gt;         A caixa do mercadinho tinha uma cara de vadia ao extremo com aquela leviana expressão de puta com chicletes na boca. Quando passava o troco ficava olhando pra seus olhos como se quisesse chupar sua pica. Tom Raiva já deu umas voltinhas nela. Disse que parece atriz pornô. Que uma certa vez, ele e Flávio ficaram revezando com a criatura a noite toda e os dois ao mesmo tempo em orifícios diversos e esses lances habituais em películas pornográficas.&lt;br /&gt;       Quando ia comprar leite de manhã ficava com desejo de enrabar a figura, mas só tinha vontade no horário de serviço dela. Mas que dava vontade, isso dava!&lt;br /&gt;        No que ia abrir a carteira, ouvi o celular:&lt;br /&gt;         _Onde é sua casa?&lt;br /&gt;         _Não tem aquela rua entre a UEFS e o Feira VI?&lt;br /&gt;         _Sim, fale.&lt;br /&gt;         _Siga direto até a última esquina do conjunto, minha casa é a da esquina.&lt;br /&gt;         _Valeu, me espere na porta.&lt;br /&gt;       Paguei e saí em disparada pra chegar antes, mas ela me alcançou no meio de minha rua:&lt;br /&gt;          _Vai pra onde com essa pressa bonitão? Quer carona?&lt;br /&gt;          _É claro – E parei de correr, controlei a respiração e entrei no carro dela, ou do marido, sei lá!&lt;br /&gt;           _Qual é a sua casa?&lt;br /&gt;           _Aquela da esquina á esquerda.&lt;br /&gt;         Desci do carro, abri o portão pequeno e, por dentro da casa, abri o da garagem e ela entrou em sua abóbora em formato de automóvel.&lt;br /&gt;            _Vai declamar quem hoje pra mim? Por acaso seria Shakespeare? – Lua vestia uma calça jeans apertadíssima e uma blusa branca de crochê deixando a barriga de fora ao descer do veículo azul-marinho.&lt;br /&gt;            _Não Lua. Hoje faremos poesia – E me aproximei, ela tentou dissimular, mas peguei em seu queixo, depois em sua nuca e o beijo fora inevitável. A suavidade labial e aquele hálito inefável pareciam  poderosos deja-vus que me escravizariam pra o resto de meus dias, mas o receio poderia estragar aquele instante. Por isso me entreguei como um fanático em presença da própria divindade adorada, sentei-a em meu colo no sofá, escorreguei meus calos pelas suas costas, abri o sutiã, mas ela repeliu segurando meu braço:&lt;br /&gt;            _Esqueceu queridinho que as mulheres aprenderam com suas antepassadas que nunca devem se entregar na primeira noite?&lt;br /&gt;            _Por quê? Eu te acharia uma puta? E, além do mais, é dia ainda.&lt;br /&gt;            _Não, quanto maior a vontade, maior o prazer.&lt;br /&gt;            _Se você quiser eu espero a vida toda.&lt;br /&gt;            _Menos. Vou nessa, acho que não tô fazendo a coisa certa – Ela se levantou, fechou o sutiã e se dirigiu até a varanda.&lt;br /&gt;             _O que não seria a coisa certa? Trair seu marido?&lt;br /&gt;             _Não, me relacionar contigo antes de resolver minha vida.&lt;br /&gt;        Pairou um silêncio de ampulheta entre nós e ela quebrou a  monotonia:&lt;br /&gt;              _Me arruma um copo com água?&lt;br /&gt;              _Gelada?&lt;br /&gt;              _Não, misturada.&lt;br /&gt;              _Rapidinho! – abri a geladeira, peguei o vaso, coloquei metade de água gelada e a outra metade completei do filtro. Liguei o som enquanto ia levar a água. Entreguei-a, ela bebeu, veio em minha direção e começou a se questionar enquanto eu, que havia novamente sentado no sofá, admirava sua beleza com cara de idiota querendo se camuflar.&lt;br /&gt;              _Seria uma merda não seria?&lt;br /&gt;              _O quê Lua?&lt;br /&gt;              _Se eu estragasse nosso primeiro encontro com meus questionamentos existenciais – E começou a tirar a blusa, jogou-a em meu rosto e até hoje posso sentir a textura do tecido e lembrar a límbica magia dos movimentos dos seus quadris enquanto descia a calça mirando toda a perplexidade em meus olhos. Ela tinha noção do seu poder e, com toda a magnitude de um milagre, sentou no meu colo, tirou o sutiã, passou a mão esquerda no meu rosto e me beijou como a um santo com os olhos entreabertos. Eu não podia ter pressa, mostrar que queria chegar ao objetivo final e aterrar toda a beleza do momento. Queria absorve-la pelos meus poros, senti-la completamente e beijei a sua nuca, ela gemeu e foi deitando no sofá. Eu levantei, ajoelhei-me no chão e comecei a alisar todos os milímetros do seu corpo e beijei e lambi todos esses mesmos milímetros e tirei a calcinha e Vênus visgava muito em meus dentes, em minha língua, em meu esôfago e eu beijava aquela bocetinha deslumbrante e bebia aquele sumo e Luana começou a gozar e afastar minha cabeça com as pernas trêmulas. Respirou profundamente, ficou um tempo olhando para o teto e falou:&lt;br /&gt;                   _Vou tentar retribuir a altura – E minha pica jamais imaginaria que uma boca como a de Lua iria envolve-la em sonhos, calor e carícias siderais.&lt;br /&gt;               Ela pediu pra que eu ficasse de pé:&lt;br /&gt;                   _Você se ajoelhou pra eu gozar, agora é minha vez – E passou a língua desde a virilha até a cabeça da pica e foi colocando quase todo na boca e tirando suavemente em movimentos sucessivos e eu tive que pedir pra ela parar pra não gozar, mas ela insistiu, só que eu me ajoelhei, beijei sua boca e deitei-a no chão.&lt;br /&gt;             Lua abriu as pernas e minha vida se abriu impulsionada pelo impossível aparentemente finito, materializado em paisagem carnal e sacra, musicada por nossos corpos em abandono, perdidos de nós mesmos, perdidos em nós mesmos desde agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Capítulo XXI.&lt;/span&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             É claro que não poderia deixar o leitor de fora do ambiente, sem sentir que além de toda a miraculosidade inerente a um sonho, ainda tocava &lt;em&gt;To Love Somebody&lt;/em&gt; na voz sem comentários de Janis no exato momento em que Lua, deitada no chão sujo da sala, recebia toda a minha paixão transmutada em sêmen que escorria de seus quadris e me estendeu os braços maternalmente e nos beijamos como condenados e começou a tocar &lt;em&gt;Kozmic Blues&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-6716055637143038125?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/6716055637143038125/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=6716055637143038125' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/6716055637143038125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/6716055637143038125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2007/11/captulo-xvii.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-2667932700988248306</id><published>2007-09-16T17:25:00.000-07:00</published><updated>2007-09-16T17:38:46.574-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Capítulo XVI.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;_Tome o verso e termine o poema – Alice me entregou o guardanapo amassado na porta do motel e eu comecei a lembrar do final da noite, dos melhores amigos humilhando-se por ela num barzinho na Matriz e do instante em que eu, possesso pela Santa Deusa Mãe Literatura, apanhei o guardanapo e dediquei-lhe estes versos:&lt;br /&gt;                      "&lt;em&gt;Talvés seja a expressão de prazer&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;                        Ou seu olhar coberto de brumas&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;                        Mas não há quem possa fumar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;                        Com a mesma graça com que fumas&lt;/em&gt;".  &lt;br /&gt;    Ela entendeu o meu poema e eu, o seu sorriso. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;    E espero que o leitor entenda que o que era pra ser dito, já foi dito no capítulo XV.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;     &lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Capítulo XVII.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;span style="font-size:130%;"&gt;  A porra do celular não parava de tocar. Detesto ser acordado. Deixei tocar, mas insistia e, quando atendi, ouvi aquela voz feminina perguntando:&lt;br /&gt;      _Alô! Sabe quem ta falando?&lt;br /&gt;      _Alice?&lt;br /&gt;      _Não.&lt;br /&gt;      _Sofia?&lt;br /&gt;      _Ta tão cotado assim é?&lt;br /&gt;      _Vai logo, fala quem é de uma vez por todas.&lt;br /&gt;      _Se você não identificar minha voz o quanto antes, vou começar a questionar minha atitude, vou desligar o telefone e esquecer tudo o que você falou. Ou você anda declamando poemas pra todo tipo de mulher no meio da rua?&lt;br /&gt;     Jesus Cristo! Era ela! Como voltar a terra, evitar um colapso e, ao mesmo tempo dar uma resposta convincente num espaço de dois segundos? Aí ela insistiu:&lt;br /&gt;         _Que foi, ficou mudo?&lt;br /&gt;         _Não. Tô tentando me acalmar.&lt;br /&gt;         _Então, vai responder a minha pergunta?&lt;br /&gt;         _Qual?&lt;br /&gt;         _Se você sempre declama poes...&lt;br /&gt;         _Só quando é a mulher dos meus sonhos.&lt;br /&gt;         _E eu sou essa mulher?&lt;br /&gt;         _Tem alguma dúvida?&lt;br /&gt;         _Infinitas.&lt;br /&gt;         _Me dê uma chance de te mostrar.&lt;br /&gt;         _Que horas?&lt;br /&gt;         _A hora que você quiser.&lt;br /&gt;         _Ta assim é? Não trabalha nem estuda não?&lt;br /&gt;         _Nada é mais importante do que ser agraciado pela sua luz.&lt;br /&gt;         _Quando tiver pronta te ligo. Você tem carro?&lt;br /&gt;         _Nem sei dirigir.&lt;br /&gt;         _Quando ligar agente marca em algum lugar. Como é que um homem desse não sabe dirigir?&lt;br /&gt;          _Mas sei outras coisas.&lt;br /&gt;          _Um dia eu te ensino a dirigir.&lt;br /&gt;          _Lua meu bem, não fale em futuro, ele é só uma suposição. Deixa só ouvir a sua voz e ser feliz.&lt;br /&gt;           _Valeu! Depois te ligo.&lt;br /&gt;           _Ligue!&lt;br /&gt;           _Beijos!&lt;br /&gt;           _Outros!&lt;br /&gt;        Ela desligou e eu comecei a andar pelo quarto querendo ordenar as idéias e correr e sair gritando e esqueci universidade, trabalho, a hora do almoço, meu avô de câncer, o aviso de corte da empresa fornecedora de energia, que eu era alguém, que tinha uma história e que era uma entidade no universo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;        Só havia aquela criatura em meu olhar. Meu deus, nem dormi com ela e já estou alucinado. É melhor manter o controle e recarregar o celular. Tenho que bater uma gelada ou então terei uma úlcera de ansiedade á espera de um telefonema. Há certos momentos nos quais chego a acreditar que é bom, muito bom viver.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-2667932700988248306?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/2667932700988248306/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=2667932700988248306' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/2667932700988248306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/2667932700988248306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2007/09/captulo-xvi.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-7009038794733314948</id><published>2007-04-28T21:34:00.000-07:00</published><updated>2007-04-28T21:42:02.296-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Capítulo XV.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;         Naquela noite esqueci de contar quantos socos, bicudas e cotoveladas aquele cara levou depois que Raiva e Seu Flávio entraram em cena e de lembrar o caminho que me levou aquele quarto de motel na Presidente Dutra, mas Alice era gostosa, com aquelas sobrancelhas estilo Elizabet Taylor, aquela tatuagem de duende entre a bunda e a perna esquerda, borboletas nas batatas, ideogramas no pescoço e que bocetinha linda tinha aquela velha amiga. Eu metia, metia e nada de gozar e tirava da boceta e colocava na boca e de novo na boceta e já havia tentado posições diversas e pensei que podia estar nervoso pelo fato de conhece-la há uma cara, até que ela veio com aquela frase pomposa e veemente:&lt;br /&gt;      _Come meu cu vai porra!&lt;br /&gt;       E o cu de Alice era tão apertado quanto meu coração naquele instante e eu gozei e gritei suando e sorrindo e notei que tinha um espelho no teto; eu sempre fui desligado mesmo.&lt;br /&gt;       Dormimos no motel e, pela manhã, vimos que ninguém tava com aqueles oitenta e dois reais e tive que ligar pro velho Carlinhos no Feira Quatro pra que fosse me tirar da enrascada.&lt;br /&gt;        _Meu filho, me tire dessa, tô precisando que você me empreste 82 reais que eu vim parar no Stillus Motel, não sei como, com uma figura e dormi nessa merda sem um centavo.&lt;br /&gt;         _Kákakakaka...Qui, qui, qui...Você ta fudido mesmo sacana que eu tô sem um conto – Como eu detestava aquela risada.&lt;br /&gt;         _Tô na merda mesmo!&lt;br /&gt;         _Eles aceitam cartão de crédito?&lt;br /&gt;         _Filho da puta!&lt;br /&gt;         _Daqui a pouco passo pra te pegar, ou melhor, te salvar.&lt;br /&gt;         _Valeu mesmo...&lt;br /&gt;         _Pare de se humilhar.&lt;br /&gt;          _Ok.&lt;br /&gt;            O sacana foi mais esperto que eu. Ganhou dinheiro fazendo próteses odontológicas e largou o curso de história e todo o engodo do ensino. Um grande piadista e uma criatura de bom gosto musical.&lt;br /&gt;             Mais são muitos personagens e eles borbulham em minha cabeça e, muitas vezes são mais vivos quando não escrevo. Nesses meses sem literatura e sem a sagrada missão da incansável busca da imortalidade nas páginas obituárias, os personagens crescem, muitos imprevisíveis e sem importância que acabam galopando e seus sorrisos são reais. Como escrever sobre delírios e sentimentos e frustrações e sonhos de estrelas além? É preciso sangue nessas páginas. Não sangue menstrual, mas alguma violência, um esquartejamento, um santo que nos envolva em música e éter e comida congelada de self-services de posto de gasolina. Algo ao mesmo tempo trágico, épico, contemporâneo e sensual, mas sensual é ser vulgar? Claro que é, e é nisso se encontra a sua ascensão. A primeira coisa seria delimitar um tema grandioso envolto em mistério profundo, adequado à linguagem universal dos best-sellers ocidentais com certos momentos disfarçando uma humanidade qualquer. Mas você quer que as palavras tomem vida por geração espontânea, ao léu e sem destino pré-estabelecido? O que o leitor tem a ver com essa merda toda? Creio que se o leitor estivesse interessado em discutir a relação do artista com a sua obra ira, com certeza, ás cartas de Van Gogh que, segundo Miller em &lt;em&gt;Tropic of Cancer&lt;/em&gt;: “É a vitória do indivíduo sobre a arte”, mas isso já é uma outra história. Então deixemos o célebre pintor holandês e suas comoventes cartas ao irmão Théo para voltarmos a atmosfera feirense de um quarto de motel, onde eu não agüentei ver Alice no chuveiro e o contraste das tatuagens com sua pele branca lembrou-me Cruz e Souza. “Ó Formas alvas, brancas, Formas claras...” e o cheiro de perfume de erva doce em sua pele, a água com negro gosto de cabelos frios e minha pica no meio de suas pernas e a advertência do ministério da saúde sobre fuder sem camisinha e eu todo já lá dentro e que a sorte me proteja. Acho que protegeu. Tô vivo até hoje, escrevendo e de pau duro devido à lembrança daquele instante liquefeito. &lt;em&gt;This is rock’n roll baby, the real one!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-7009038794733314948?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/7009038794733314948/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=7009038794733314948' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/7009038794733314948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/7009038794733314948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2007/04/captulo-xv.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-8068403547465922100</id><published>2007-02-20T20:26:00.000-08:00</published><updated>2007-02-21T19:15:58.021-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Ilustre e muito estimado leitor duma época em que não se lê, o capítulo XIII está eletrizante e, ao leitor de primeiro tapinha ou que se perdeu nos deslizantes e desordenados trilhos da narrativa: É só mandar um e-mail pra &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:netantonio@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#33cc00;"&gt;netantonio@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt; e o leitor receberá a obra desde o capítulo primeiro. Mas comentem essa zorra!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-8068403547465922100?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/8068403547465922100/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=8068403547465922100' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/8068403547465922100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/8068403547465922100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2007/02/ilustre-e-muito-estimado-leitor-duma.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-8154182359673920865</id><published>2007-02-20T20:10:00.000-08:00</published><updated>2007-02-20T20:13:49.995-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Capítulo XIII.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;            Quando entramos no local que estava repleto de mibs(meninos in black) como Emerson definiu, fomos direto ao bar e a cerveja descia como água pela boca anestesiada. Souza ficava numa situação crítica com a maxila proeminente, mordendo o lábio superior e retorcendo a mandíbula para a direita e para a esquerda. Ele sempre queria mais. Todos queriam mais e a fila no banheiro fora inevitável. Tom Raiva deu a velha paranóia de atleta e disse que não tava mais a fim e foi pra frente do palco esperar a pancadaria correr solta pra ele se ambientar. Quando tava tecando a minha dentro do banheiro ouvi o começo do show e também fui pra frente do palco, mas eu era um cara doente, nunca estava satisfeito, olhei em volta e notei que aquilo não me representava como há treze, sei lá, quinze anos atrás. Sou meio megalomaníaco e quando me vi cantando e dançando como todos a minha volta, senti a velha angustia e o desprezo em fazer parte de qualquer contexto coletivo determinado. E voltei ao bar e o calabouço da minha memória não esquecia aquela deusa, tampouco aquele beijo e eu realmente queria estar com ela num quarto qualquer ao som de Hunky Dory do grande Bowie, uma obra magistral. Notei que não estávamos a mais de meia hora no local e eu já tinha tomado umas seis cervejas e Alice começou a me olhar com aquela sobrancelha arqueada, cigarro nos lábios e a leviana expressão do seu sorriso misturada com o olhar. Souza, Flávio, Emerson e Josué praticamente não saiam do banheiro, hipnotizados pela bicha malvada. Deu vontade de escrever qualquer coisa pra Alice. Peguei um guardanapo e saí em busca duma caneta. No instante em que um conhecido de vista tava me emprestando a pena, o bom e velho Duda Brandão sem pseudônimo, poeta e grande compositor de rock’ roll, apareceu do nada com aquele sorriso de cumplicidade e a eterna felicidade da certeza de estar no caminho certo; mais perto dos prazeres e da vida e o mais longe possível das instituições sociais:&lt;br /&gt;      _E aí velho Rafa!? Chega me deu um alívio quando te vi com a cerveja na mão. Me disseram que cê tinha parado de beber. Pensei que meu velho amigo havia enlouquecido. Tom Raiva ficou pirado com esses lances de malhação e jiu-jitsu. Não vá nessa onda não. Agente morre e fica essa porra toda aí.&lt;br /&gt;     _Não, tinha só dado um tempo, meu estomago não tava muito bem.&lt;br /&gt;     _E minha mãe...&lt;br /&gt;     _Que é que tem?&lt;br /&gt;     _Disse que agora abriu uma sede do A.A. lá no bairro, que era pra eu freqüentar as reuniões e essas coisas, quem é doido!?&lt;br /&gt;     _E cê falou o quê?&lt;br /&gt;     _Que não podia freqüentar o A.A. Já tinha passado dessa lição, tô agora na lição B.B.&lt;br /&gt;     _Hahahaha!..&lt;br /&gt;     _E agora que nasceu seu segundo filho meu velho, o que vai mudar?&lt;br /&gt;     _Em mim pouca coisa, quanto a ele, espero que cresça bonito e saudável e goste de rock. Me dê uma cerveja!&lt;br /&gt;      _Tome a ficha, vá lá pegar – eu tinha comprado algumas fichas pra encarar aquela noite e quando eu entreguei uma assim que me pediu, ele ficou olhando com uma teatral cara de felicidade mesclada com espanto e disse:&lt;br /&gt;       _Melhor coisa que fizeram por mim hoje, por isso que sou seu amigo – E foi pegar a cerva.&lt;br /&gt;       Quando Duda voltou a trupe estava toda reunida e, no instante que ele viu que tava todo mundo se mordendo, foi intimando na hora:&lt;br /&gt;        _E aí galera, quem é que ta com essa bicha?&lt;br /&gt;        _Qualé seu Duda?&lt;br /&gt;        _E aí seu Flávio?&lt;br /&gt;        _E aí seu Souza, quem é que ta portando?&lt;br /&gt;        _Fique na sua, esse aqui é Josué, um brother nosso jogador de futebol.&lt;br /&gt;        _E aí mano, massa?&lt;br /&gt;        _De boa!&lt;br /&gt;        _E aí seu Emerson!&lt;br /&gt;        _Ó pra essa porra! Cê tinha que ta aqui né sua desgraça?&lt;br /&gt;        _Num já sabe?&lt;br /&gt;     Enquanto isso, Souza ia tirando a pedra do bolso e me entregando, chapado de pó com a cara de bicho-do-mato bicudo:&lt;br /&gt;         _Rafa, vá lá com Duda e Alice que agente foi agora – tudo bem que o som tava alto, mas ele não precisava gritar no meu ouvido daquela forma e aproveitei pra chamar Alice que já tava se derretendo por um galego malhado com cara de playboy.&lt;br /&gt;         Ela veio perguntar se o cara podia colar, mas é claro que limamos o intruso rapidamente. Só que ele não se tocou e ficou plantado ao nosso lado na fila do banheiro que era perto do bar onde tava a rapaziada. Estendeu a mão pra Duda que olhou pro playboy de uma maneira desdenhosa e caricatural e virou-lhe a cara. O velho Brandão detestava seres do senso comum que se comportavam e se vestiam segundo as tendências da moda de sua contemporaneidade. Mas Duda havia esquecido que esses garotos bombados atingem aquela forma física por meio de exercícios, suplementos e esteróides anabolizantes que alteram seu humor. E foi com um extremo mau-humor que o cara agarrou Duda pelo pescoço e eu me interpus pra separar querendo evitar que se propagasse uma confusão enquanto eu tava com aquela pedra de pó em minhas mãos, mas o velho Duda, que tinha um terço da massa corpórea do cara e dez anos a mais, deu um soco na cara do cidadão e a putaria tava formada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-8154182359673920865?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/8154182359673920865/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=8154182359673920865' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/8154182359673920865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/8154182359673920865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2007/02/captulo-xiii.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-116891690099649969</id><published>2007-01-15T19:05:00.000-08:00</published><updated>2007-01-15T19:08:21.016-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Capítulo XII.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;          &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;       O Feira VI era um daqueles conjuntos populares de casas de dois ou três cômodos construídas em meados da década de oitenta para abrigar policiais e outros funcionários públicos. Com suas ruas de calçamento e sua estratégica posição entre a UEFS e o batalhão de polícia, esse conjunto era responsável por abrigar a maior parte da população estudantil da universidade e os donos das casas cobravam preços altíssimos em alugueis de cubículos em péssimo estado, sem segurança, com goteiras, mofo, ratos e o diabo a quatro.&lt;br /&gt;      Muitas vezes os habitantes construíam moradias no quintal ou batiam laje acima da própria pra alugar pros miseráveis da instituição universitária. A casa era alugada dessa forma: “Aqui nesse quarto cabem dois beliches, nesse aqui três, cada estudante dá cinqüenta e a casa fica por duzentos e cinqüenta”. Esse era o pensamento dos sovinas do Feira VI em relação aos milhares de jovens oriundos de todas as regiões da Bahia e outros estados em busca de um canudo pra serem alguém na vida. Hoje em dia o bairro está adotando as construções verticalizantes, restaurantes, casas noturnas, farmácias, sorveteria, igrejas, armarinhos, pontos de venda de entorpecentes, pastelaria, casas de material de construção, etc. Como os bancos estão na UEFS logo ao lado, o Feira VI só precisaria de funerária e cemitério pra virar uma cidade, uma vez que o batalhão de polícia se confunde com o bairro e representaria a delegacia. Ninguém precisa mesmo de prefeitura ou qualquer espécie de governo fora do próprio espírito.&lt;br /&gt;       Eu mesmo só fiz o curso de Letras porque imaginava que podia ganhar dinheiro falando da vida e obra de seres atormentados como eu; tudo mentira. O formato é chato, os colegas de trabalho e os diretores são abomináveis e todos sabem que o ensino na verdade é um engodo desgraçado para as almas que gostariam de estar fudendo, ou na praia, ou cantando ou, simplesmente, olhando para o céu com os sonhos bem no chão.&lt;br /&gt;       E, antes do show dos Garotos Podres nós tivemos que fazer o velho ritual de contatar Josué, um brother que já foi jogador profissional de futebol e que hoje disputa o torneio intermunicipal de Feira no time do bairro do barão do pó que muito o estimava em virtude de suas boas atuações em campo. Sempre gostei mais de minha gelada e meu baseadinho. Cocaína nunca foi minha droga predileta, eu ficava nervoso, introspectivo, sem fome, o álcool não fazia efeito, se fudesse não conseguia gozar e sempre a espera angustiante por algo que nunca iria acontecer, sem falar da depressão no outro dia com o corpo moído e o nariz na merda. Mas era noite de rock’n roll e algumas linhas poderiam facilitar a atuação na frente do palco num show de hard-core.&lt;br /&gt;      O circo estava montado: Iggy Pop de fundo, várias cervejas na casa de Souza que é um coligado que fazia mestrado em botânica e quando bebia dizia que tinha castelo em Portugal, que foi prum show dos Ramones em Buenos Aires, que já correu a São Silvestre e jogou no Guarani de Campinas e que tinha um pitbull que buscava mulher em Porto Alegre pra ele pelo braço. A parte verdadeira é que quando brigava com a mulher, se transformava numa criatura capaz de beber, cheirar, quebrar o pau e destruir, mas tinha um coração bom e não tinha apego material; grandes requisitos pra aquele lunático se tornar meu amigo.&lt;br /&gt;      Lá também estavam Emerson, Alice, uma guria de Física, Flavio e Tom Raiva e quando Josué chegou de moto-taxi com aquela pedra de dez gramas, a comoção foi geral e Alice foi logo esquentando o prato e Souza aumentou o som e começou a pular. Aquele ali gostava da bicha malvada:&lt;br /&gt;           _Esquenta o prato! - Souza pulava e seu cabelo loiro trançado subia enquanto seu corpo descia e todos começaram a sorrir e a felicidade existia nesse mundo sob diversas perspectivas. Essa era a conclusão a que cheguei naquele instante.&lt;br /&gt;           _Faz duas de cada -bradou Emerson.&lt;br /&gt;           _Uma de cada - Flávio sugeriu.&lt;br /&gt;           _Bota logo uma grande pra Josué que fez o avião - disse Souza enquanto preparava a narina e fazia o canudo com uma nota de dez reais. Aquela nota de dez reais de plástico foi uma mão na roda pros aspiradores de pó.&lt;br /&gt;           _É mesmo - e Tom Raiva mal terminou de falar e pegou a colher, tirou um pedaço, bateu e fez uma linha que não tinha mais tamanho nem grossura com o cartão telefônico, mas Josué deu de uma vez e quando tirou a cara do prato, soltou a respiração e falou:&lt;br /&gt;           _Agora sim!&lt;br /&gt;           _Faz uma de cada, depois outra rodada - sugeri enquanto abria uma cerveja.&lt;br /&gt;           _E deixe um pouquinho pra fazer o mesclado com a massa.&lt;br /&gt;           _Não Alice, vá com sua onda de sacizeira pra casa do caralho - sacizeiro é quem gosta de fumar pedra e depois que Raiva escaldou a menina, ele cheirou a dele e rodou o prato.&lt;br /&gt;           Aquele processo de bater, alinhar, se aplicar e beber levou cerca de duas horas e foi difícil convencer aqueles cães a largar o osso pra ir pro show. Pegamos um táxi e chegamos mordendo os próprios dentes com os nervos a flor da pele e tencionados. Todo mundo sério.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-116891690099649969?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/116891690099649969/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=116891690099649969' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/116891690099649969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/116891690099649969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2007/01/captulo-xii.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-116337196874236521</id><published>2006-11-12T14:48:00.000-08:00</published><updated>2006-11-12T14:52:48.760-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Capítulo XI.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;     Naqueles ínfimos minutos, transformei-me noutro ser. Todo o tédio da existência dissipou-se como éter e fiquei abestalhado, eufórico, sem fome, em estado de choque de alegria e lembrei de respirar.&lt;br /&gt;       Acredito que tenha ficado muito tempo parado ao sol sem encher os pulmões de oxigênio e quando inspirei, senti uma dor na minha pleura e acredite, quem estiver nesse instante com os olhos nestas linhas, meu coração chegava a doer e não é exagero de escritor querendo poetizar ou conferir dramaticidade; todo o tórax doía e agradecia a Deus por uma dor como aquela. Com aquela dor estava vivo e irmanado com a terra. Permaneço todos os dias como um cadáver á cata de resquícios dessa hora.&lt;br /&gt;        É evidente que depois do ocorrido, jamais conseguiria pensar em aula ou trabalho. O bar de Zé Burugudú era o albergue mais próximo onde eu podia bater uma gelada e me acalmar. O laboratório da minha mente não parava de rever a cena com novas expectativas e significados, tentando criar vacinas e compostos e aditivos. Eu queria desfrutar de todos os litros daquela paixão absoluta derramada aos baldes sobre minha atmosfera entorpecida e acredito que continuo nessa ladainha até hoje. Velha carpideira de um funeral interminável.&lt;br /&gt;        Sempre bebia no balcão, mas quis sentar mais afastado, na parte externa onde a deplorável trilha sonora não pudesse atrapalhar minha odisséia particular. E Zé chegou com aquela cara de gente boa, sangue bom:&lt;br /&gt;            _E aí macho!&lt;br /&gt;            _E aí Zé!&lt;br /&gt;            _Vai querer qual?&lt;br /&gt;            _A mais gelada.&lt;br /&gt;            _Demorou.&lt;br /&gt;       Zé voltou com uma cerva véu de noiva pra incrementar minha fantasia:&lt;br /&gt;            _Essa ta boa macho?&lt;br /&gt;            _Melhor não existe.&lt;br /&gt;            _Cadê a namorada?&lt;br /&gt;            _Deve ta na aula.&lt;br /&gt;        Na época namorava uma figura que fazia História chamada Janaína e lembrei que tinha marcado de almoçar com ela, mas já estava quarenta minutos atrasado. Jana, uma guria de Dias d’Ávila que pensava que o amor era como uma música de Marisa Monte. Nada contra a cantora, mas ela ficava o tempo todo cantarolando as músicas dela no meu ouvido com aquela voz desafinada quando estávamos sozinhos. Ninguém merece!&lt;br /&gt;        Mas Janaína possuía um corpinho escultural em virtude da prática de balé ao longo da vida. Tinha uma bunda lindíssima, mas nossa relação era incompleta. Como dormir com uma garota com aquela bunda se ela não me dava aquele cuzinho? Eu já havia tentado de todas as formas, mas ela era muito cética. Já lambi, chupei, comprei lubrificante e nada. A criatura tinha alguma espécie de bloqueio psíquico. Ela possuía a visão de mundo muito curta pra uma mulher moderna.&lt;br /&gt;         Alguns dias depois estava com Emerson, o rato de biblioteca e Janaina numa Pizzaria do Feira VI á noite. A pizza estava sendo servida e Lua chegou de mãos dadas com o marido; uma criatura gorda, amarela, feia e com jeito e roupa de burguês e um garoto de cerca de onze anos que pensei que poderia ser seu filho. Ela me cumprimentou com um tênue sorriso e, logo depois que eu havia lido os lábios do marido dela perguntando quem eu era ao se sentarem, Janaína foi rapidamente interrogando:&lt;br /&gt;           _Quem é essa aí? – eu sentia mais que ciúmes no seu tom de voz, rolava muito ódio na sua entonação, e Emerson começou a brincar:&lt;br /&gt;           _E aí, ficou transtornada foi?&lt;br /&gt;           _Não se meta. Quem é ela Rafael?&lt;br /&gt;           _ Fale baixo, não ta vendo que ela é casada? É professora de Literatura.&lt;br /&gt;           _Sua professora?&lt;br /&gt;           _Não, de Tom. Agora pare de encher o saco que eu quero comer em paz.&lt;br /&gt;     Depois que bradei, reinou um mórbido silêncio e a prosa tomou outro rumo e nossos olhares ás vezes se encontravam e eu não queria evitar. Me toquei e esqueci as investidas com os olhos. Ela jamais seria feliz com aquele cretino a não ser que fosse apenas uma puta materialista. Ás vezes o cara pode ser até gente boa e o conceito estético da figura seja específico para gordos que se vestiam como almofadinha.&lt;br /&gt;       Janaína enlouquecera com a beleza de Lua. Havia poucos exemplares como aquele sob a face desse planeta. Se fosse uma mulher feia ela não tinha ligado.&lt;br /&gt;      Emerson, que comia como um porco com uma camisa do Black Sabbath, começou a falar de boca cheia enquanto bebia vinho como se fosse refrigerante:&lt;br /&gt;        _E aí Rafa, vai pro show dos Garotos Podres?&lt;br /&gt;        _E a banda ainda existe?&lt;br /&gt;        _É claro, os Stones existem.&lt;br /&gt;        _E vai ser onde? Em Salvador?&lt;br /&gt;        _Não, aqui em Feira na Euterpe, um galpão no comércio onde rola show de rock’n roll.&lt;br /&gt;         _É seu Emerson, passou um curta da adolescência de cabelo moicano, calça jeans rasgada e brincos, com as camisas de banda e coturno ou tênis sujo com os vinis dos caras embaixo do braço. Hoje em dia até as crianças usam calça rasgada e cabelo estilo punk. A indústria cultural consegue transformar tudo em produto. Antes éramos taxados de marginais e drogados e as mães de família do recôncavo desciam da calçada pra não passar perto de gente como nós. Nenhuma alusão a Tchítchicov de Gógol, só que até as almas tem seu preço. As almas vivas. Entende meu amigo?&lt;br /&gt;         _E as almas sempre tiveram o seu preço e é dos homens desalmados, essas almas sem valor ou, com certo valor de barganha, á depender de que ângulo se olhe.&lt;br /&gt;         _Não sei não. Existem coisas que repugno.&lt;br /&gt;         _Você é muito cristão. O cristianismo derrota um homem. Lembre-se que foi após uma crise religiosa que Gogol queimou os originais da segunda parte de Almas Mortas antes de vagar como andarilho até se deixar morrer de inanição. Criaturas surpreendentes estes gênios de outrora. Não há mais pessoas sensíveis a esse ponto hoje em dia. A sensibilidade dos gênios de hoje é ofuscada por glamour e cocaína.&lt;br /&gt;         _Ô conversa chata - Jana reclamou e fez uma cara de desdém misturada á incapacidade de discutir qualquer assunto fora da esfera acadêmica. Meu amor por aquela menina havia sido tão mágico quanto qualquer utensílio de vitrine de loja de mágica que cobiçava na infância. Quando levava pra casa perdia a graça.&lt;br /&gt;        Naquela noite, enquanto saia da pizzaria com Janaína e Emerson sem olhar propositadamente pra mesa de Luana, percebi que a deplorável iluminação do Feira VI fazia com que as nuvens se tornassem avermelhadas e pensei em vikings e cavalos alados nas nuvens e dragões e belas mulheres vestidas com roupas idênticas as das capas das revistas de Conan. Imaginei Lua com aqueles trajes sensuais. O nome da revista em quadrinhos era &lt;em&gt;A espada&lt;/em&gt; &lt;em&gt;selvagem de Conan&lt;/em&gt;. E aquela menina que queria ser historiadora fazia com que me sentisse um ser bárbaro e bestial. É que ela gostava que eu metesse a pica com violência, esticando o cabelo, dando tapa na cara e na bunda e pedia pra eu cuspir no seu rosto e bebia meu esperma até a última gota, mas dizia que só me dava o cuzinho se eu casasse com ela e ficava cantando as músicas de Marisa Monte com aquela voz antipática depois que trepávamos. Sempre tive uma consideração especial pelas mulheres que engoliram meu sêmen, sei que ainda existe algo de mim nelas. Encontrei-a certa ocasião em Feira alguns anos depois de termos terminado o namoro e ela tava com a bunda tão perfeita com aquela calça jeans-claro apertada que fui forçado a elogiar:&lt;br /&gt;           _Nunca te vi tão bonita em minha vida.&lt;br /&gt;           _Deve ser porque você nunca soube cuidar de suas mulheres.&lt;br /&gt;           _Pra quê esse ódio?&lt;br /&gt;       O olhar dela era capaz de esfolar-me vivo. Jamais haveria diálogo ou rememoração.&lt;br /&gt;       É melhor voltarmos as nuvens, as nuvens vermelhas...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-116337196874236521?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/116337196874236521/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=116337196874236521' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/116337196874236521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/116337196874236521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2006/11/captulo-xi.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-116199310956015848</id><published>2006-10-27T16:46:00.000-07:00</published><updated>2006-10-27T16:51:49.560-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Amigo leitor ou mui amiga leitora, os capítulos nove e dez estão quentinhos. Leia e deixe o seu comentário. Apesar de a poesia parecer estar com os dias contados, dê um saque nos poemas desse editor de folhetim internético em &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.diamantinoneto.blogspot.com"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ffff00;"&gt;www.diamantinoneto.blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;.&lt;/span&gt; Um sólido abraço.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-116199310956015848?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/116199310956015848/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=116199310956015848' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/116199310956015848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/116199310956015848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2006/10/amigo-leitor-ou-mui-amiga-leitora-os.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-116199278176143972</id><published>2006-10-27T16:43:00.000-07:00</published><updated>2006-10-27T16:46:21.766-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Capítulo IX.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;    Nunca consigo beber só uma e depois da segunda cerveja fui pra casa com vontade de declamar uma canção com sonoridade de outro mundo em linguagem bem só nossa e num vocabulário forte, profético e apocalíptico que arrepiem nossos pelos e reverbere em nossas almas. Como eu queria Lua, que você sentisse exatamente nesse instante, o maior amor da terra e ele brota dos meus poros. Amor que assusta e muda nossas enzimas para um sítio ativo em formato de coração incandescente e tudo que digo é muito pouco. Nada na vida é tão magistral como dobrar essa esquina e ver acesa a luz do AP com seu vulto na janela.&lt;br /&gt;     Subo os cinco lances de escada sem me dar conta e, quando tava colocando a chave na fechadura, ela abriu a porta com aquele sorriso que para muitos seria um sorriso de boneca, mas pra mim era o arquétipo universal e imortalizado de algo belo e inexplicável, era o símbolo vivo do que se entende por amor e esse amor quase sagrado e eu, profano e mudo, inteiramente naufragado, colei minha boca em seu sorriso e a levei em meus braços para o quarto e, por mais desgastada que possa parecer essa cena, ela ocorre como vez primeira; inesperada, vibrante e desesperada.&lt;br /&gt;        _Meu bem o que deu em você hoje?- ela perguntava enquanto beijava minha orelha e eu derretendo em seu pescoço, passei a mão no botão da composta calça de professora, desabotoei, abri o zíper, tirei a calça e comecei a beija-la desde o dedo mindinho que beijei e lambi junto com os outros dedos do pé, dei uma leve mordida naquela panturrilha inenarrável, beijei atrás do joelho e, quando comecei a passar a língua na região dos músculos adutores da coxa, ela começou a gemer, aí eu afastei a calcinha pro lado e beijei sua boceta como beijo a sua boca e meus lábios visgaram e era um cheiro sacrossanto materializando meu êxtase. Enquanto tirava a calcinha, ela foi abrindo a blusa de botão e era quase uma ordem pra chupar aquele peitinho, mas só passei a língua no morango quando minha pica se sentiu aquecida, acolhida e tão radiante quanto eu. Não somente pelo fato de haver materializado na escrita, mas levarei as minúcias dessa noite para o túmulo e, se depois de morto, puder andar sobre os jardins do meu sepulcro, ainda viverei com tal lembrança. Espero que o espírito não seja imortal como proclamam. Viver eternamente com a consciência de que momentos como esses são efêmeros e não voltam jamais não seria coisa lá muito agradável. Quando acordados, pensamos e dormindo, sonhamos. Nunca haverá descanso pra esfrangalhada consciência? Se não houver repouso pelo menos pode existir resposta e isso seria um ótimo recomeço.&lt;br /&gt;     Será que Nietzsche estava com a razão? Somos seres realmente desprovidos de compaixão para com o próximo e nossa idéia de caridade é apenas um tipo de comportamento egoísta de cordeiro cristão ocidental querendo tomar parte num rebanho de ideal medievo? O amor, se tomarmos o nobre sentimento como exemplo, não estaria condicionado a idéia de sucesso pessoal na condução de uma relação quase sempre idealizada e movida por algum filme, livro ou trilha sonora ou, até mesmo, um devaneio? E aquilo que sentia naquele instante? Aquela nítida alteração do meu psicológico e do meu metabolismo poderia ter explicação na tradição histórica da metafísica ou da práxis cientifica? É melhor acreditar em Corintios capítulo 13 e dormir em paz ou deixar pra lá.&lt;br /&gt;    Oh, criaturas intergalácticas! Musas cósmicas do brilho da estrelas! Desçam desse céu despedaçado e entrem pela janela pra admirar o que é humano e sagrado humano sendo e regozijem-se e se entrelacem criando sóis, cometas ou corpos que queimam qual meteorito azul-piscina nessa Brotas sempre cinza.&lt;br /&gt;       _Vai porra, isso, vai, estica meu cabelo, mete, sshh..., mete, vai, humm, ái, me bate vái - e eu batia frenética e apaixonadamente naquela bunda enquanto o suor de meus cabelos pingava em suas costas a intervalos regulares no vai e vem da languidez dos movimentos. Com certeza, a criação do universo coexistia em sinonímia com aquela visão de Lua de quatro. O Big-Bang ocorreu entre suas pernas numa noite como essa.&lt;br /&gt;      Gozei e ainda fiquei um tempinho com meu pau dentro duma Lua ofegante e de bruços, comprimida por meu peso, embalsamada na lascívia de um cenário deslumbrante e habitual.&lt;br /&gt;      Caí ao seu lado e ela me beijou levemente com os olhos entreabertos e os seus olhos se fecharam. Naquele momento tudo que havia era a fugaz sensação de que só existia no planeta o nosso leito, os astros e o barulho dos carros pela fresta da janela. Os meus olhos fecharam-se em seguida e, se naquela noite, tive sonhos que não lembro, estes nunca seriam, tão oníricos assim. E dei-lhe boa noite em francês por telepatia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Capítulo X.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Luana era uma menina nascida em Serrinha e criada em Feira de Santana para onde fora aos doze anos quando o pai, que era gerente de banco, havia sido transferido. A mãe era formada em nutrição, mas só fazia beber, tomar antidepressivos e mentir pro pobre marido de uma forma ignominiosa. Tanto a mãe como as duas filhas eram verdadeiras beldades, assim como as tias, primas, sobrinhas e aí vai. Uma família inteira de mulher bonita.&lt;br /&gt;        Na adolescência Luana desfilava e foi até Miss Bahia certa vez. Ela era três anos mais velha que eu e quando tava saindo da universidade, ela tava entrando como professora substituta da instituição. Lua me contou que era uma garota extremamente superficial e que queria na verdade fazer Enfermagem e só fez Letras Vernáculas porque a concorrência era menor, mas acabou se apaixonando pela área e esses lances.&lt;br /&gt;       Como disse no capítulo primeiro desse livro, a vi num ônibus pela primeira vez quando ia pra UEFS. Algumas semanas depois, quando trocava idéia com meu amigo Tom Raiva num dos caminhos do Feira VI, ela passou com aquele andar magnífico e cumprimentou Tom que retribuiu o cumprimento com a cara de sacana e ficamos olhando mudos pra bunda dela até que dobrasse a esquina e sumisse dos nossos olhos. A pergunta foi inevitável:&lt;br /&gt;           _Quem é essa aí seu Tom?&lt;br /&gt;           _Minha professora de Literatura Brasileira II.&lt;br /&gt;           _Então ela gosta de poesia...- mal terminei a frase e atravessei o campo correndo na direção daquela semideusa. A única característica que faltava a sua pessoa para adentrar o panteão dos Deuses era o dom da imortalidade e Raiva ficou para trás gritando que ela era casada.&lt;br /&gt;          Numa certa ocasião, na cidade histórica de Cachoeira, havia conquistado uma morena muito linda após declamar a primeira parte de A canção desesperada de Neruda, mas ela era professora de Literatura, podia conhecer a composição, mas tava muito perto, aí eu reduzi os passos, toquei em seu ombro e disse:&lt;br /&gt;            _Moça, não pense que sou maluco, não costumo fazer essas coisas, mas eu preciso te dizer essas palavras. E recitei o poema com a voz muito trêmula e no final ela me encarou e falou com um meio sorriso.&lt;br /&gt;             _Você ta tremendo, se acalme pra não ter uma síncope. Como é seu nome?&lt;br /&gt;             _Rafael, e o seu?&lt;br /&gt;             _Meu nome é Lua, Luana.&lt;br /&gt;             _Quer casar comigo?&lt;br /&gt;             _Eu nem te conheço e, além do mais, já sou casada. Gostei do poema, de quem é?&lt;br /&gt;             _É seu, ou melhor, de Neruda.&lt;br /&gt;             _Tenho que ir.&lt;br /&gt;             _Me dê seu telefone, e-mail, qualquer coisa.&lt;br /&gt;             _Pare com isso.&lt;br /&gt;             _Eu imploro!&lt;br /&gt;             _Você é muito apressado, mas vejo sinceridade em seu olhar...&lt;br /&gt;             _Anote meu telefone, eu queria te beijar, mas temo a sua reação.&lt;br /&gt;              _Eu ia ficar pirada, morrendo de ódio.&lt;br /&gt;          A palavra ódio veio acompanhada de um comedido sorriso de canto de boca, olhei em volta, a rua estava vazia e, quando ela terminou de anotar o meu número no celular, segurei em sua nuca e roubei aquele beijo. Ela me afastou com o olhar esbugalhado e disse:&lt;br /&gt;              _Qual é! Cê ta doido é?&lt;br /&gt;              _Me perdoe, por favor.&lt;br /&gt;              _Meu marido é muito conhecido em Feira, e se alguém viu?-a expressão dela tinha mudado completamente e vi que não tinha procedido da maneira certa.&lt;br /&gt;              _Você termina com ele e casa comigo.&lt;br /&gt;              _Tenho que almoçar, vou dar aula uma e meia.&lt;br /&gt;              _Você o ama?&lt;br /&gt;              _Quem?&lt;br /&gt;              _Seu marido.&lt;br /&gt;              _Isso é outra história. O que é que você faz?&lt;br /&gt;              _Componho e vendo Língua Inglesa e Portuguesa a preço de banana aqui em Feira.&lt;br /&gt;               _Você é musico?&lt;br /&gt;               _Não, escritor.&lt;br /&gt;               _Tô indo agora, tenho que ir.&lt;br /&gt;               _Foi mal.&lt;br /&gt;               _O quê?&lt;br /&gt;               _ O beijo.&lt;br /&gt;               _Não se preocupe, eu gostei.&lt;br /&gt;               _Eu te amo – por mais estranho que possa parecer, eu disse a celebre frase liquefeita das profundezas do meu ser e Luana sorriu e deslizou com aquele andar e esqueci de respirar por alguns segundos e o céu, a sol das doze, me chamava para as luzes em alquimia labiríntica.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-116199278176143972?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/116199278176143972/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=116199278176143972' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/116199278176143972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/116199278176143972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2006/10/captulo-ix.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-116091937189820711</id><published>2006-10-15T06:29:00.000-07:00</published><updated>2006-10-15T06:36:11.900-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;   Sórdido leitor, as publicações atrasaram em virtude de problemas de conexão, mas prometo- como todo marido infiel- que serão lançados dois capítulos do romance a cada semana. Vocês haviam me pressionado exigindo agilidade nas publicações. Aqui estão os cspítulos VII e VIII. O título da obra continua em aberto. Publique seu comentário no espaço onde está a palavra comments no final de cada edição. Um abraço.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-116091937189820711?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/116091937189820711/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=116091937189820711' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/116091937189820711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/116091937189820711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2006/10/srdido-leitor-as-publicaes-atrasaram.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-116091889203205973</id><published>2006-10-15T06:25:00.000-07:00</published><updated>2006-10-15T06:28:12.053-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Capítulo VII.&lt;/span&gt;       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Nunca gostei de calça e sapato, se pudesse viveria eternamente de sandália e bermuda, mas quando viro o respeitável professor, tenho que usar trajes mais compostos.&lt;br /&gt;        É muito fácil lecionar uma disciplina como literatura brasileira. Não há necessidade de preparar aula, uma vez que ninguém lê absolutamente nada e tudo que você falar acerca da vida do autor, das características da obra e da escola literária a qual esta obra pertence se tornará a mais pura verdade.&lt;br /&gt;         Eles me pagavam a mixaria de quinze reais por hora e era bom me adiantar. Na última vez antes de viajar pra Chapada, a dona do cursinho pré-vestibular havia dito que se chegasse mais uma vez atrasado não ia poder continuar comigo na empresa e que seria chato descontar os meus minutos de atraso e essas coisas. Lembro que ia mandar ela enfiar o subemprego de merda dela dentro do rabo, mas lembrei do aluguel tão atrasado quanto eu e engoli o sapo. Aquela desgraçada era um exemplar evoluído de sovina, só pensava em números e em quantos assuntos cada professor dava por aula. Quanto mais conteúdo em menor tempo, melhor pro seu bolso. Além de casquinha, a maldita era mal humorada e mais feia que o cão chupando manga, mas casou com um gringo imbecil que a leva á Alemanha nos finais de ano. Esse alemão não deve saber fuder ou não existiria razão pra tanto aborrecimento na sua esposa, só que esses personagens não merecem tanto a nossa atenção.&lt;br /&gt;          No ponto de ônibus havia uma senhora com um garoto de cerca de quatro anos, um policial militar, um vendedor de queijo coalho assado na brasa e uma morena literalmente perfeita trajando uma justa blusa de algodão nas cores do arco-íris, saia estilo hippie patricinha e um modelo de óculos de grau meio quadrado, sofisticado e sensual. Olhar pra ela era a melhor coisa a ser feita enquanto esperava a porra do ônibus. Ela me lembra muito uma figura de pedagogia que ficava comigo na universidade que se vestia de forma irreverente com esse tipo de saia, cabelo trançado, tatuagem e piercing, mas na hora em que acendi um baseadinho depois da transa, a criatura começou a bradar, disse que fazia parte de um grupo de jovens da igreja católica e, se eu quisesse realmente ficar com ela, teria que parar de fumar. A bunda dela era tão maravilhosa que até hoje me masturbo pensando, mas eu não poderia trocar minha relação de mais de dez anos com a ganja por uma menina cheia de pudores e valores. Mesmo com aquele corpo escultural, tive que manda-la passear. Imagine ter que aturar a dona do cursinho e outros acontecimentos envolvendo uma humanidade doente sem ter ao menos um baseado pro final de noite. Deus me livre dessa má hora.&lt;br /&gt;          O ônibus veio lotado só que, depois do ultimato que me deram, teria que ser esse mesmo. Ia demorar cerca de quarenta minutos de Brotas até Ondina e tinha esquecido completamente da menina que ficou num lúgubre ponto de transporte coletivo ou em qualquer outra fresta desolada em minha mente. O cobrador deu o troco com uma expressão que simbolizava descontentamento e, pra minha sorte, me posicionei em frente á um débil casal que acabou de levantar pra pedir ponto assim que eu cheguei perto. Sentei e comecei o meu velho e habitual cavalgar de pensamentos, arrastando com eles os sentimentos e a menina branquela na frente brinca com o telefone celular, a mãe cochila bem perto e tem uma gorda negra oxigenada na cadeira á esquerda e do lado, um protestante e no corredor, uma miscelânea de cores desconexas e corpos e perfumes e sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Capítulo VIII&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;.        &lt;br /&gt;      Depois da aula peguei carona com dois playboys alunos meus que ouviam uma mistura de música pop, hip-hop e guitarras bem pesadas que eles chamavam de new metal. Violência sonora gratuita mesclada com momentos de leveza e vocais melosos; uma desgraça, mas como ainda são jovens pode ser que consigam se salvar. Devo estar sendo muito rigoroso. Os carinhas poderiam estar ouvindo os piores pagodes e arrochas da baianidade nagô e aí sim eu estaria fudido dentro do carro.&lt;br /&gt;       Quando o automóvel parou numa sinaleira na Barra, o que tava dirigindo abaixou o volume do som e perguntou com uma cara cretina:&lt;br /&gt;        _Dê idéia aí professor, o senhor já esbagaçou aquela Alessandra que fica de sainha cruzando e descruzando as pernas na frente do senhor, não já?&lt;br /&gt;        _Bem que eu queria!&lt;br /&gt;        _Demorou viu profe! - Replicou o carona.&lt;br /&gt;        _Aí eu perco meu emprego.&lt;br /&gt;        _Na moral mermo professor, por uma daquela eu perdia até dez empregos.&lt;br /&gt;    E não é que o garoto estava com a razão? Ela sempre me olhou com uma sórdida expressão com a caneta na boca, vestia roupas curtíssimas, o que seria denominado como vulgar entre mulheres de classe, mas eu adorava. Comecei a pensar no assunto, só que Lua estava em todos os semáforos e faróis dos carros daquela noite e de muitas outras. Eu não era mais adolescente. Se escolhi aquela mulher pra viver comigo é porque deve existir sinceridade e cumplicidade senão não haverá sentido. E eles continuavam a conversa:&lt;br /&gt;        _Ela é gostosa, mas é burra demais - disse o motorista.&lt;br /&gt;        _Se fosse inteligente não era humana – replicou o carona.&lt;br /&gt;        _Será que toda mulher bonita e gostosa tem que ser burra?-Isso porque ele não conhecia minha mulher que além de bonita e inteligente, tinha plena convicção de que possuía esses atributos e de como eles mexem com o imaginário de nós homens. Tive que interromper o diálogo dos dois:&lt;br /&gt;        _Eu tenho um amigo que diz que não existe possibilidade de amizade entre homem e mulher. No caso dele, só se a mulher for feia e amizade entre mulheres é algo absolutamente improvável em sua opinião, já que uma quer ser sempre melhor e mais bela que a outra. Dentro dessa ótica, a mulher não precisa ser inteligente, só necessita ser bonita e gostosa. Ele diz que tem amigos se quiser falar algo interessante ou que depois da foda pode ler um bom livro.&lt;br /&gt;         _Gostei desse cara professor.&lt;br /&gt;         _Eu também.&lt;br /&gt;     Esse cara era Emerson, o maior rato de biblioteca que já vi na vida. Roubava diversos livros nas bibliotecas dessa grande Bahia. Estudava o sistema da biblioteca a ser atacada, descobria a falha e agia como um gato, ou melhor, um rato. Nas grandes livrarias roubava praticamente aos olhos do vendedor afinal, ninguém notaria aquela espécie de duende de um metro e sessenta sempre de coturno e alguma negra camisa de banda de rock. Dizia que só pegava as obras que possuíam vários exemplares idênticos e eram livros de compreensão inatingível para o homem comum, não devendo sequer estar naquela estante. Acho que conheço dezenas desses caras que acreditam viver acima de tudo que é humano, mas Emerson pelo menos lia os livros que roubava. Sempre que tentei me apossar de alguma coisa, desisti no caminho. A vergonha ao antever meu fracasso era denunciada por meu semblante, eu jamais conseguiria vencer aquele estado de nervos que a idéia de roubar despejava em meu corpo. Sempre sonhei com a vitória amoral do bandido no cinema e talvez essa íntima torcida por um final que nunca ocorreria na película pode ter ajudado na construção quase sem fim do meu mundo infinito em devaneio em zigue-e-zague.&lt;br /&gt;    E os garotos pararam de enaltecer as curvas da colega de saia e começaram a perguntar em quem eu iria votar pra presidente e pra deputado e governador e esse tipo de coisa. Um dos rapazes desceu na Piedade, eu passei pro banco do carona e não falei mais nada até o “valeu meu brother” na porta do velho edifício na D. João VI.&lt;br /&gt;    Ela ainda não chegou, a luz do apartamento ta apagada. Vou no trailer da rua de baixo bater uma gelada. E se ela nunca mais voltasse? Às vezes não, muitas vezes, penso e vivo pequenas tragédias cotidianas como um ensaio para kamikaze da dor. Todas as linhas ofegantes das abstrações teimam em desaguar no fim. Minha cerveja não tem água do rio Letes e esqueço a travessia de Lua.&lt;br /&gt;    Carlão e Zé de Juca jogam sinuca apostado cinqüenta centavos fora ficha e, é só eu pisar no bar que o velho Régis, dono do trailer, coloca uma coletânea de Bezerra da Silva pra eu me ambientar. Acho que sou o único com menos de cinqüenta que freqüenta esse espaço quase perdido em meio a mais de três milhões de rostos soteropolitanos. Lugarzinho mixuruca e matéria prima das frustrações e anseios do meu dia. Neste instante imortalizo-o nestas páginas oníricas e bebo a graciosidade da parede descascada em sagrados e sublimes tons de vermelho e branco sujo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-116091889203205973?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/116091889203205973/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=116091889203205973' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/116091889203205973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/116091889203205973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2006/10/captulo-vii.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-115953048690744154</id><published>2006-09-29T04:46:00.000-07:00</published><updated>2006-09-29T04:48:06.906-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Tive alguns problemas com a net, mas volto pra barbearia literária com a barba grande e grisalha e repleta de sonhos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-115953048690744154?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/115953048690744154/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=115953048690744154' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/115953048690744154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/115953048690744154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2006/09/tive-alguns-problemas-com-net-mas.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-115953033392027512</id><published>2006-09-29T04:43:00.000-07:00</published><updated>2006-09-29T04:45:33.946-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;CapítuloV.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;       No ônibus era tudo obscuramente estranho. Sempre fui meio anti-social e não tinha grana pra ter carro e não sabia dirigir. Uma certa vez, uma ex-namorada que era louca e psicoterapeuta, começou a me ensinar.&lt;br /&gt;       Isabela, uma loira gostosíssima de enormes olhos azuis, era uma companhia bem agradável, pena que tinha um gênio incontrolável e via o amor de forma estranha, pelo menos pra mim. Os psicólogos ás vezes esquecem de tratar a própria mente e ficam meio pirados, mas lembro que meu coração quase saiu pela garganta juntamente com o pulmão no momento em que roubei o primeiro beijo de Isabela. Ela era minha amiga e tava na dúvida se confundia as coisas. Meus batimentos viajavam a velocidade da luz, níveis de adrenalina em ebulição e peguei no colar em seu pescoço, elogiei a jóia, segurei sua nuca e pronto. Quando senti que ela beijava, o uníssono das línguas começou a me acalmar e nunca esqueceria o sabor da mistura de amilases salivares e o brilho dos seus cabelos cor de sol ao meio dia.&lt;br /&gt;      No instante em que o ônibus entra na orla marítima de salvador desde o Porto de Barra, começo a me perder em devaneios e só volto à realidade quando o carro entra na Pituba e o mar fica escondido das minhas vistas hipnotizadas pelo balanço das ondas e dos quadris soteropolitanos na calçada.&lt;br /&gt;     Tem uma garota nos seus vinte anos que conheci na biblioteca dos Barris, durante a exibição de filmes de Orson Weeles. No dia que passou Othello, mais precisamente, foi quando nos conhecemos. Antes de começar, enquanto observávamos alguns cartazes raríssimos dos filmes do cineasta americano, ela puxou conversa:&lt;br /&gt;       _Você não é Rafael de Oliveira?&lt;br /&gt;       _Você foi minha aluna? Eu não tô lembrado, me desculpe – Ela devia ter entre dezenove e vinte e um. Pele branca, cabelos pretos cacheados e se vestia com toda a contemporaneidade da maioria das garotas de hoje. Salto plataforma, calça com o coes baixo, tão baixo que dava vontade de viver só em olhar e blusa deixando a barriga de fora com o tradicional piercing no umbigo. Pensei em Lua e tentei escapar de qualquer possibilidade, mas era impossível.&lt;br /&gt;       _Gosto de seus poemas. Eu sou a Cinderela Adormecida que deixa comentários no seu blog. Eu faço jornalismo e gosto muito do que escreve. Queria escrever como você.&lt;br /&gt;     Poderia ter ficado calado, mas não pude evitar a tirada:&lt;br /&gt;        _Eu te ensino se quiser&lt;br /&gt;        _Meu nome é Fernanda.&lt;br /&gt;        _Nice to meet you honey!&lt;br /&gt;        _Nice to meet you too! –sacanagem aquele sorriso. Será que não era uma armadilha de minha mulher? Da internet pra vida real. Admirável Mundo Novo, Matrix, Blade Runner. Agora vejo que o avanço tecnológico não é de todo ruim.&lt;br /&gt;        _Meu telefone é XX98-5642, não vai anotar?&lt;br /&gt;        _Já decorei. Nunca mais na vida esqueço. Não perca esse celular, não deixem roubar...&lt;br /&gt;        _Eu moro na Pituba, Manuel Dias 1314, Ed. René Magritte, 602 o AP.&lt;br /&gt;        _Vamos entrar?&lt;br /&gt;        _Vamos - Gosto dos quadros de Magritte, só que ele nunca pintou cena tão surreal quanto essa.&lt;br /&gt;      Sabia que a interpretação de Welles no papel do Mouro de Veneza é magistral, mas nos beijamos até a metade do filme até que não agüentamos e fomos pro apartamento dela. Os pais estavam trabalhando e a irmã de quinze na Disney. Um sonho de família burguesa e segundo um velho amigo dos tempos de escola: “A melhor coisa da burguesia são as filhas”. E ainda pensava em Luana, mulher que respira em todos os meus passos. Mas não era culpa minha, o pecado cibernético não consta nos dez mandamentos. Diretamente da rede mundial de computadores para os braços de Rafinha. Os detalhes dessa foda eu talvez conte mais tarde. Lembrei dela porque o ônibus passava pela Pituba, mas já estamos em Patamares. A orla soteropolitana é singularmente deslumbrante e a periferia só é bela á noite quando vista de longe e parece um presépio de natal como no instante em que chegamos na entrada da cidade e vemos as luzes acesas das casas em Periperí, Paripe, Plataforma, Pirajá, etc e tal. Pituaçu, Pituba, Piatã e Patamares começam com P, mas é bem diferente.&lt;br /&gt;      O ônibus chegou em Jaguaribe e pedi ponto quando vi que tinha passado o referido anuncio do Muralha da China. Tive que andar uns seiscentos metros pela calçada pra achar. Na barraca de praia, Tom Raiva já contava suas histórias hilariantes pra três garotas e um playboy com cara de viado que ria a ponto de convulsionar-se. Como uma pessoa consegue acordar cedo e ás dez da manhã de segunda-feira, encontrar uma barraca de praia aberta e que toque rock e se embebedar e envolver-se com todos á sua volta dessa forma?&lt;br /&gt;        _Você veio? Eu não acredito. Isso foi saudades ou medo de que eu sumisse com esse original New Values de Iggy Pop?&lt;br /&gt;         _Exatamente!&lt;br /&gt;         _ Vocês conhecem Rafael de Oliveira? Ele é o maior escritor dessa cidade e eu, é claro, o maior poeta baiano desde Gregório de Mattos. Vocês não conhecem porque não gostam de ler, mas isso pouco importa, detesto intelectuais. Rafa, essa é, como é mesmo seu nome?&lt;br /&gt;         _Andréa, esqueceu foi?&lt;br /&gt;         _Não meu bem, foi só pra ele ouvir sua voz, vá lá se apresentar de perto. Ele pegava na mão da moça e conduzia-a com aquele surpreendente dom da persuasão. O miserável podia ser o que quisesse; padre, pastor, advogado, político. Na academia, gostava de humilhar os ditos detentores do saber com sua língua desgraçada e em meio à plebe, falava como um deles. Foi me apresentando uma á uma, depois pediu licença e me chamou pro lado da barraca:&lt;br /&gt;         _Vou deixar você ficar com a mais gatinha, eu sei que cê é enjoado.&lt;br /&gt;         _Não, já pilantrei minha mulher antes de viajarmos e o telefone da Cinderela Adormecida não sai de minha mente. Vou tomar umas duas brejas e ficar na minha.&lt;br /&gt;         _Com todo o respeito meu velho, se eu tivesse uma mulher que nem a sua eu também não traia não.&lt;br /&gt;         _Ta certo.&lt;br /&gt;     Peguei duas cervejas e voltamos pra mesa ao som do BBC Sessions do Led Zeppelin. Quando Tom chegou perto, uma das meninas, a que eu achava a mais bonita disse a nosso amigo:&lt;br /&gt;          _Gostei de sua tatuagem.&lt;br /&gt;          _Só da tatuagem?- Ele perguntou.&lt;br /&gt;          _Não, gostei de você todo – que cara de piriguete que tinha aquela guria!&lt;br /&gt;     Ela tava na espreguiçadeira e tom se ajoelhou na areia pra beijar a criatura. O viadinho e as outras meninas fizeram a maior algazarra e uma delas sorriu-me com expressão libidinosa. Raiva pegou a guria nos braços e levou pra água. O mar estava calmo e a praia praticamente vazia e dava pra ver nitidamente o cara chupando os peitinhos da figurinha e foi pra trás dela e começou a meter com água na cintura a uma distancia razoavelmente irrisória da beira do mar. Sabia que se fizesse o mesmo com a que me olhava, iria dar o maior arrependimento depois que gozasse e não dá pra fuder de camisinha na água, além de não ter nenhuma. O cara é mesmo maluco. Tomou algumas, achou bonitinha e já foi. Diz que só pega aids quem dá o cu, aquele lunático. Fala que se morrer, pelo menos morreu fudendo, “pior é quem morre e nem fode”.&lt;br /&gt;       Não agüentei e liguei pra Fernanda. Ela disse que tava estudando pra uma prova na faculdade e que só podia á noite, horário expressamente proibido dia de hoje e marquei pro dia seguinte. Apaguei o numero da lista de números discados sem deixar de sentir um peso nos ombros e fui em busca da que me olhava. Já era o instinto, não era mais eu. Convidei a figura pra um banho de mar:&lt;br /&gt;         _Ta afim de dar uma caída comigo?&lt;br /&gt;         _Brigado, mas dei escova em meu cabelo ontem.&lt;br /&gt;       Pensei em dizer “eu pago uma chapinha nova” mas fiquei calado. Tem dias que é mesmo uma merda. Botei queixo que não tava afim, passei pela culpa e pela timidez pra enfim ouvir um fora. Nesse ínterim, Raiva já voltava com a rapariga que friccionava os cabelos e pulava pendendo a cabeça ora para a direita, ora pra esquerda querendo tirar a água do ouvido.&lt;br /&gt;          _Meu brother, vou nessa. O do Led e John Coltrane podem ficar contigo, mas Clash e Iggy Pop são originais.&lt;br /&gt;           _Eu também tô indo, vamos beber a saideira.&lt;br /&gt;           _Nenhuma.&lt;br /&gt;        Eu sempre pensei a respeito de escrever um dia sobre a magnífica massagem cerebral e leveza de espírito que o primeiro gole de cerveja desencadeia numa manhã sem sentido. È uma sensação digna dos Deuses. Gosto de vinho, mas uma cerveja é incrivelmente o meu fraco. Começo a lembrar de um poema de Tom raiva em que ele diz: “... E se fosse o céu /Da cor dessa cerveja/Eu, com certeza/Teria asas-nadadeiras/E um pedaço de papel”. Não bebo todos os dias, mas quando começo é difícil de parar. Dizem que é alcoolismo, eu acho que não. Sinto uma vontade maior de beber quando estou deprimido e isso só acontece em momentos de ócio. Mente parada é mesmo oficina do diabo. Acho que só escrevo pra parar de pensar. Beber pra comemorar ou esquentar uma sacanagem é muito bom também.&lt;br /&gt;         Tom pagou a conta, gravou o telefone da menina no celular, deu o velho beijo de despedida e subimos a escada pra alcançarmos o calçadão afim de atravessarmos a pista pra pegar o ônibus do outro lado.&lt;br /&gt;          _E aí cara pálida, conheceu esse povo hoje mesmo?&lt;br /&gt;          _Não. Ontem passei o dia bebendo nessa barraca e conheci essas meninas, mas tava muito louco, aí marquei pra hoje.&lt;br /&gt;          _E agora?&lt;br /&gt;          _Vamo na casa de Cláudio aqui na Aldeia de Jagueribe, é um coligado que tem uma coleção respeitabilíssima de Jazz, uma piscina, cervejas e pés de skunk na estufa.&lt;br /&gt;          _Só faltou dizer que tinha mulher nua e bonita servindo a cerveja!&lt;br /&gt;          _Seu mau é esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Capítulo VI&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;     O condomínio de Cláudio era repleto de carros de luxo, árvores belíssimas e casas que mais se assemelhavam a castelos pós-modernos e essas habitações que só vemos em capa de revista de decoração.&lt;br /&gt;       Na entrada o porteiro perguntou com quem gostaríamos de falar, pediu nossos nomes, usou o interfone e praticamente ordenou que deixássemos a carteira de identidade com ele até que saíssemos do condomínio.&lt;br /&gt;        As mulheres que passavam nos carros importados lá dentro faziam com que questionasse os meus valores e começasse a imaginar uma vida de lorde á beira-mar, mas rapidamente lembrei da primeira vez que tomei um AC no Arraial da Ajuda e tive a nítida percepção da vida de ator que levamos a cada dia, foi nesse instante que consegui perceber como os gestos, andares, vozes e sorrisos de todos á volta eram calculados previa e maquinalmente pra que conseguíssemos mostrar a idéia inexata que fazemos de nós mesmos; um blefe, mera atuação de pigmeus recauchutados só conseguindo sinceridade na loucura.&lt;br /&gt;           _Meu velho, Cláudio não é esse cara que tem prazer em ver você comendo a mulher dele?&lt;br /&gt;           _Fale baixo que já ta chegando na casa do cara, faltam dois quarteirões.&lt;br /&gt;           _O que é que esse cara faz?&lt;br /&gt;           _É um cara influente no meio artístico de Salvador, artista plástico, músico, escritor de merda, diga-se de passagem, e um belo cargo junto ao governo do Estado.&lt;br /&gt;           _Por que você não pede a ele pra publicar suas poesias?&lt;br /&gt;           _O cara tem ambições políticas e diz que meus poemas seriam a sua ruína.&lt;br /&gt;           _Mais um filho da puta! Como você consegue se relacionar com esse povo doente? O velho verme de sempre, sempre sugando aquilo que te interessa em cada um de nós.&lt;br /&gt;            _Mais evidente em mim que no resto da humanidade?&lt;br /&gt;            _A casa ainda ta longe? – Seguranças armados e um hotweiller passaram nos encarando.&lt;br /&gt;            _Aquela com a palmeira na frente.&lt;br /&gt;        Uma bela casa, mas talvez a menos luxuosa entre as demais. Raiva usou o interfone e o portão foi aberto por um cara nos seus quarenta e cinco anos, calvo e grisalho com rabo de cavalo, imensa barbicha igualmente grisalha, trajando paletó e gravata com os “olhos em brasa, fumaçando, fumaçando, fumaça”.&lt;br /&gt;         _Grande figura! Que maus ventos os trazem?&lt;br /&gt;         _Os velhos e amaldiçoados ventos de sempre. Esse é Rafael.&lt;br /&gt;         _O escritor amigo de infância?&lt;br /&gt;         _Ele mesmo.&lt;br /&gt;         _Entrem. Eu tava indo trabalhar mais posso chegar atrasado, afinal é Segunda-feira.&lt;br /&gt;      Dentro da casa era algo realmente incrível com vários quadros abstratos e fotos de músicos de jazz e esculturas e cascatas com luz néon e um cachorro poodle pra estragar o ambiente com aquele latido insuportável.&lt;br /&gt;      Sentamos num sofá que parecia desenhado por Nyemaier e ele foi na cozinha e voltou com duas cervejas.&lt;br /&gt;          _Por onde anda seu amigo botânico? Quero conversar com ele sobre plantas.&lt;br /&gt;          _Algum problema com as orquídeas?&lt;br /&gt;          _Não, era que eu queria que ele experimentasse a última variedade que acabei de colher, vamos pro escritório.&lt;br /&gt;       Aquele cara certamente sabia gastar dinheiro. O que ele chamava de escritório era um atelier com seus quadros mais recentes de um futurismo meio ultrapassado, mas de forte impacto em cores vivas, uma estufa com mais de dez pés de skunk, uma respeitabilíssima biblioteca com obras de literatura, história da música e da arte, uma discoteca repleta de obras de jazz, blues e soul music em vinis e uma boa mesa de som perto duma porta de vidro que dava num pequeno estúdio com bateria, teclado, guitarra, baixo, percussão e instrumentos de sopro. Se morasse ali, jamais sairia daquele escritório que era o sonho e parque de diversões de milhares de artistas. É uma pena que muitas pessoas que possuem um grande talento não possam desfrutar de algo assim.&lt;br /&gt;        O cara abriu a gaveta do criado-mudo e tirou umas berlotas que tinham cheiro de tangerina com manga verde e tive que perguntar maravilhado:&lt;br /&gt;           _Que porra é essa seu Cláudio?&lt;br /&gt;        Ele deu uma risada que demonstrava ares de superioridade e explicou:&lt;br /&gt;            _Uma variedade de bagulho híbrido criado na Holanda, as sementes você compra na internet com cartão de crédito e chega pelo correio. Só não pode pensar em vender que Deus castiga. Essa maconha, cannabis sativa, que rola aqui na América do Sul, tem um princípio ativo que gira em torno de 1.5 a 2 % de THC, enquanto as variedades modificadas geneticamente alcançam índices que podem alçar 19%.&lt;br /&gt;            _Overdose de maconha então?&lt;br /&gt;            _Quase isso. Vou enrolar um pra vocês que eu acabei de fumar agora.&lt;br /&gt;       Enquanto ele tratava a massa, Raiva colocou um vinil de jazz que trazia uma versão de Autumn Leaves até então desconhecida pra mim, já que só sacava a versão de Miles Davis com Cannonball Adderley no sax, Art Blakey na bateria, Hank Jones ao piano e Sam Jones no baixo. Uma obra prima do gênero. Essa outra versão era de autoria de Stan Getz, mas Cláudio não deixou que chegasse ao fim e colocou Duke Ellington afirmando que e a faixa East St. Louis Toodle-oo era mais apropriada pra ocasião. Nunca fui muito fã do jazz na linha de montagem, só que tenho que me curvar diante da languidez e sublime beleza de músicas como Day-ream de autoria de Ellington, Latouche e Strayhorne. Skunk em português quer dizer gambá e quando Cláudio acendeu o beck, o cheiro que exalava era uma mistura de maconha, alfazema e laranja bastante forte. Ele passou pra mim e a tosse foi inevitável depois da primeira tragada.&lt;br /&gt;           _Cohf, cohf, cohf, uhrr..Que caralho é esse Raiva?&lt;br /&gt;           _O gosto não é maravilhoso?&lt;br /&gt;           _Muito bom.&lt;br /&gt;           _Melhor que o gosto é a lombra.&lt;br /&gt;           _Tô até cabreiro.&lt;br /&gt;       Passei o baseado pra Tom que fumou tossiu, fumou tossiu e passou pra Cláudio que recusou e voltou pra mim e eu fumei e tossi e fumei e tossi e, mais rápido que o normal, estava embarcando no meu devaneio monomaníaco e pensava em Lua e na aula que tinha que dar e na Cinderela Adormecida e em Deus e o Diabo e Glauber Rocha e Bandeira em Arte de Amar e meu avô quando era vivo e o ambiente estava escuro, o sopro mais alto, a música bem perto e voltei a realidade. Não tinha vontade de fazer mais nada a não ser me afundar em córregos duma lama de mim mesmo e aproveitar o instante e navegar, mas por alguns momentos, quando pensava na vida lá fora, queria voltar a sobriedade e ao passado infantil com a família reunida na chácara em Lauro de Freitas como cena em platonismo atemporal, uma verdadeira piração que apertava meu juízo e ás vezes dava medo.  A voz de Cláudio chegava a meus ouvidos como um eco longínquo e a notícia de que teríamos que sair me deixou meio triste, pois não tive tempo de vasculhar calmamente a discoteca e a biblioteca do cara.&lt;br /&gt;             &amp;shy;_Vamos nessa que ainda tenho que passar no fórum. Tom, diga onde vocês vão ficar que eu dou uma carona.&lt;br /&gt;             _Qualquer lugar em Brotas ta bom pra gente. Não posso esquecer de pegar os documentos na portaria com seu gentilíssimo porteiro.&lt;br /&gt;       O carro do cara era puro odor de bagulho e ouvimos Thelonious Monk de Jaguaribe a Cruz da Redenção. Na Dom João VI nos despedimos. Raiva pegou um ônibus pra casa da avó na Daniel Lisboa e eu andei cerca de dois quilômetros até o meu apartamento onde precisava tomar um banho frio ou qualquer outra coisa que me deixasse mais ligado. Dentro de duas horas estaria no cursinho falando de Murilo Mendes e Vinícius de Morais mesmo sabendo que em dez vidas a maior parte dos imbecis jamais leria uma estrofe de poesia. Era hora de me transformar no vendedor de literatura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-115953033392027512?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/115953033392027512/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=115953033392027512' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/115953033392027512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/115953033392027512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2006/09/captulov.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-115608606133297959</id><published>2006-08-20T07:54:00.000-07:00</published><updated>2006-08-20T08:01:01.333-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Os capítulos III e IV estão fumegando. Não deixe de deixar comentários. Para leitores de primeira viagem, os capítulos I e II estão logo embaixo dessa página. O título da obra continua em aberto. Não esqueçam de visitar os poemas desse editor em &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.diamantinoneto.blogspot.com"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;www.diamantinoneto.blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;. Um abraço!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-115608606133297959?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/115608606133297959/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=115608606133297959' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/115608606133297959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/115608606133297959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2006/08/os-captulos-iii-e-iv-esto-fumegando.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-115608546624493793</id><published>2006-08-20T07:47:00.000-07:00</published><updated>2006-08-20T07:51:06.270-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Capítulo III&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;span style="font-size:130%;"&gt;   Antes que ele comece a contar o que havia aprontado, vamos explorar alguns dados acerca do personagem para que o leitor possa se ambientar sem ter que desistir dessa leitura e seguir os caminhos do entretenimento com raízes em Hollywood.&lt;br /&gt;      Conheci o cara aos nove anos quando meus pais se separaram e fui morar com minha mãe em Alagoinhas. Gostava de fazer maluquices como colocar bombas em caixas de correio das casas dos vizinhos, jogar pedras ou sacos de bosta dentro de igreja em horário de missa e sair em disparada, além de comprar as meninas da invasão com doces e iogurtes. Falava inglês e conhecia detalhes da cultura e o nome de todas as capitais do mundo. Sentia um enorme prazer em saber coisas que quase nenhum garoto sabia. Tocava piano e conhecia compositores clássicos e algumas leituras e filmes e um instinto avassalador levaram-no na adolescência, aos caminhos da trilogia pós-moderna ocidental: “sexo, drogas e rock n’ roll”. Sempre foi emotivo e intensamente envolvido com a vida, seja amando-a ou odiando-a. O nome Tom Raiva surgiu em Feira de Santana. A figura odiava quase tudo á sua volta e não tinha medo de dizer a qualquer pessoa o quanto ela era desprezível. Lembro que numa aula de filosofia na universidade, o rapaz havia ido de encontro ás idéias da professora acerca da obra e do pensamento de Nietzsche e quando a mesma apelou para o argumento de que era formada em filosofia sendo, portanto, filósofa, nosso protagonista olhou pra ela e disse a sons de doze badaladas: “enfie sua filosofia de merda dentro do seu cu!” e saiu ás gargalhadas. Sempre se gabava de sua suposta superioridade em se tratando de conhecimento literário. Dizia que o meio acadêmico era repleto de ordinários imbecis e que só pensava num canudo pra ter direito a cela especial depois do golpe que mudaria sua existência. Sua mãe era artista plástica e seu pai um trambiqueiro de marca maior, mas possuía gosto pelas línguas e pela leitura. O pai de Tom Raiva é o cara que conheci que mais leu obras de literatura, política, história, ufologia, ficção científica, religião, biologia, direito e outros temas. Nunca perguntei ao coroa sobre algum livro que ele não tivesse lido. Diz que vê espíritos. Realmente uma figura extraordinária o pai de nosso amigo.Contando piada e de bom humor com sol ou chuva. Quando foi preso devido á desvios financeiros na Caixa Econômica Federal, foi visitado pelo filho único na Corregedoria da Polícia Federal e Raiva foi dizendo: “Parecia àqueles filmes americanos Rafa, um vidro blindado entre nós e telefones pra trocar idéia e quando eu perguntei como ele tava, o cara foi logo com piada dizendo que o Brasil não existia. Que no Regime Militar foi exilado em Londres e que no governo Lula, mandam prende-lo”. Seu Roberto possuía a mesma cara do filho, o que os diferenciava era a cor dos olhos - azuis do pai e verdes do filho - , a cor da pele de Tom era um pouco mais escura em virtude da influencia da mãe que era morena e o cabelo do coroa era grisalho e castanho claro o do filho. Sua mãe era e ainda é muito bonita. Sempre fora superprotetora com a prole única. Talvez o amor exagerado tenham feito com que o cara se achasse a pessoa mais especial desse planeta. Dona Victória sempre conversava com ele tentando mostrar os caminhos da virtude e quase chegou a loucura quando o rapaz era adolescente. Nessa época as paixões, o rock, as drogas e uma sensibilidade exagerada, levaram-no a realidades incompatíveis com os caminhos que a mãe imaginava para nosso herói. Queixas, delegacia de polícia, traficantes, vadias e marginais era o meio habitado por Raiva. O Jiu-Jitsu foi a igreja que tirou-o das drogas químicas e criaram na megalomaníaca mente do cara, a idéia de que era a representação do homem que dominaria o planeta no futuro, um ser aprimorado física e mentalmente. Sabia que não era humilde e quando tava com grana, gostava de reunir os amigos pra milhares de cervejas. Acho que sou seu amigo mais velho, o que sobrou. Ele sempre entra em conflito com os amigos por causa de mulher ou por um sentimento louco que tem de achar que já que ele não faz questão de nada, seus amigos tem que pensar da mesma forma ou são sovinas, burgueses e mesquinhos medíocres. Uma pessoa difícil de lidar. Suas namoradas saiam da relação extremamente atormentadas, as personalidades mudadas e com uma espécie de sentimento doentio em relação a ele. Quando vi o cara aqui em Salvador de madrugada, na porta do meu prédio com aquela cara de arrependimento, sabia que coisa boa não tinha acontecido.&lt;br /&gt;     No apartamento, ele colocou It’s Only Rock and Roll dos Stones e perguntou se tinha alguma coisa pra beber. Lua me deu um beijo e pediu pra que eu contasse as novidades de nosso amigo no dia seguinte, estava exausta e ia dormir.&lt;br /&gt;        _Voltou a beber meu caro? Você agora não é atleta?&lt;br /&gt;        _Não venha com piadinha não. Tem o que aí?&lt;br /&gt;        _Agente chegou de viagem agora...&lt;br /&gt;     Ele me interrompeu bruscamente:&lt;br /&gt;        _Ta, eu sei. Vai me contar todos os detalhes da viagem ou vai me dizer, de uma vez por todas, se tem alguma coisa nessa casa que se possa beber?&lt;br /&gt;        _Tem um conhaque e uma abaíra que agente trouxe da Chapada.&lt;br /&gt;        _Vou ver se tem gelo.&lt;br /&gt;      Quando abriu a porta da geladeira foi intimando na hora.&lt;br /&gt;        _E esse Piagentini suave?&lt;br /&gt;        _Esse vinho é de Luana, meu negócio é cerveja.&lt;br /&gt;        _Tome o dinheiro, amanhã cê compra um igualzinho e bem bonito pra ela.&lt;br /&gt;        _Tem saca-rolha na segunda gaveta do lado do fogão- O apartamento era composto de uma cozinha pequena com os pôsteres de Lua de dois filmes de Almodóvar nas paredes, um quarto, um escritório com meus livros e um computador, banheiro e uma saleta de entrada com dois quadros de Suzart e esculturas de Josilton Tomn e, é claro, os vinis, a vitrola e os CDs que embalavam e embalam minha vida e escrita. O quarto era como se fosse só dela. Fotos nossas e dos pais de Lua, livros de teoria da literatura e lingüística aos montes, um cabide repleto de roupas de mulher e um guarda-roupa com penteadeira entupida de perfumes, cremes, esmaltes, etc.&lt;br /&gt;      A curiosidade tava quase me matando e antes que eu perguntasse o que tinha acontecido, ele começou com sua oratória circular característica:&lt;br /&gt;        _Você é um cara de sorte. Mora na capital, um emprego com férias e décimo terceiro, tranqüilidade pra escrever e uma linda mulher que iluminou a sua vida. Eu só me envolvi com mulheres sujas e sórdidas, todos gabam minha inteligência e eu não ganho um centavo.&lt;br /&gt;       _Se lembra Tom, que você sempre citava Raul?, “Não adianta perguntas não valem nada. É sempre a mesma jogada, um emprego e uma namorada, quando você crescer”? E hoje está aqui me dizendo que eu tenho sorte por tudo aquilo que você sempre repudiou. Conheci muitas mulheres bonitas e interessantes que fizeram parte do seu menu, mas você acaba transformando-as naquilo que mais repudia numa mulher: sua imagem e semelhança.&lt;br /&gt;       _É que eu só começo a gostar delas de fato, quando ta perto do fim.&lt;br /&gt;       _Entendo.&lt;br /&gt;       _ Sabe que quando gosto duma figura, sou muito ciumento e dominador...&lt;br /&gt;       _Isso é um problema de hipocrisia sem limites se tratando de um cara como você.&lt;br /&gt;       _Me deixe terminar. Tô ficando com uma figura que faz biologia, o nome dela é Fabiola e tem um filho de dois anos chamado Tiago. Quando almoçava na casa dela, o celular da criatura tocou e ela veio com aquele papo ao telefone que não podia, que tava com namorado. Foi quando levantei da mesa e tomei o celular da mão dela e falei com o cara:&lt;br /&gt;       _Você é viado filho da puta? Que é que cê quer com a mulher dos outros? E advinha Rafa o que ele respondeu?&lt;br /&gt;       _Mandou você tomar no cu, se fuder, sei lá.&lt;br /&gt;       _Não, ele mandou eu perguntar a Fabíola se ele era viado.&lt;br /&gt;       _E aí?&lt;br /&gt;       _Esqueceu que Lex Luthor é a mente criminosa mais perfeita do universo? - Na infância, Tom era assíduo leitor de HQs e deixava de merendar na escola pra comprar as revistas. Às vezes citava personagens desse universo em suas narrativas orais.&lt;br /&gt;        _Conte a porra da história caralho, tenho que dormir.&lt;br /&gt;        _Então convenci Fabíola a ligar pro cara duas horas depois marcando um encontro e dizendo que eu sou só um cara que ela ta ficando, que não é nada sério. Eu disse que não ia machucar o infeliz, que só ia dar um susto e que se ela não fizesse o que eu tava pedindo, iria me dar motivo pra acreditar que ela ainda saia com o pilantra.&lt;br /&gt;        _E aí? Ela topou?&lt;br /&gt;        _É claro. Mandei que ela marcasse com ele no auditório em construção dentro da universidade e lembra aquele meu amigo Flavinho do Jiu-Jitsu?&lt;br /&gt;        _Seu fiel escudeiro?&lt;br /&gt;        _Sim.&lt;br /&gt;        _Que é que tem?&lt;br /&gt;        _Eu deixei tudo combinado com ele. Quando o otário chegasse com Fabíola, Flavinho já estaria fumando um baseado com Aline no Auditório como se fossem apenas mais um casal querendo tranqüilidade numa obra monumental abandonada. Eu fui seguindo Fabíola há uma distancia de cerca de duzentos metros. O carro dele chegou, ela cumprimentou o infeliz, ele convidou-a a entrar no carro, ela não aceitou e foram andando na direção do auditório. Entraram na armadilha e nesse instante eu citei as palavras do Surfista Prateado quando ia enfrentar Galactus numa edição histórica desenhada por Moebius e escrita por Stan Lee: “Não nos é permitido saber se lograremos êxito ou não. Não há desonra em falhar. Só uma vergonha é definitiva: a covardia de não ter tentado”. E fui na direção do brutamontes de quase dois metros de altura, fiz que ia lhe dar a mão e na hora que ele me estendeu a dele, voei em seu tornozelo, apliquei uma queda e tentei estrangular o desgraçado que acabou se desvencilhando e foi pegar uma pedra. Foi nessa hora que Flavinho veio por trás de surpresa, imobilizou-o segurando os dois braços do cara e eu aproveitei pra desferir vários golpes na cara do imbecil. Teve um momento em que ele se abaixou e meu soco acabou atingindo Flavinho, duplicando nossa ira. Enquanto Flávio aplicava um mata-leão no brutamontes, eu ia quebrando e rodando o tornozelo da criatura. Fabíola desmaiou e Aline gritava em crise histérica. Quando tudo acabou, que vi o cara todo fudido tentando levantar com o pé quebrado, senti o maior remorso de minha vida. E Flavinho ainda foi e deu um chute nas costelas do cidadão. Uma monstruosidade. Deus me perdoe do fundo do coração. Fabíola desmaiou e a menstruação dela chegou fora de hora em virtude do nervosismo e do abalo emocional causado.&lt;br /&gt;        _E você fugiu como sempre.&lt;br /&gt;        _O playboy deve ser filho de alguém influente em Feira, pelo carro que ele tava dirigindo dava pra notar.&lt;br /&gt;        _Você ta pirando meu amigo. Eu que te conheço, sei que o arrependimento que você vai sofrer será pior pra seu espírito que duas surras dessa são para o corpo.&lt;br /&gt;        _Agora entende porque eu queria beber?&lt;br /&gt;        _É claro! Vou dormir. Amanhã você me conta o resto e abaixe um pouco o volume do som.&lt;br /&gt;        _Valeu!&lt;br /&gt;     Entreguei um cobertor e um travesseiro ao maluco, fechei a porta do quarto e deitei ao lado de Lua que beijou o meu pescoço e perguntou:&lt;br /&gt;         _Ele matou alguém?&lt;br /&gt;         _Ainda não.&lt;br /&gt;         _Boa noite!&lt;br /&gt;         _Boa noite princesa!&lt;br /&gt;      Com os olhos abertos na escuridão do quarto tentava imaginar a cena e peguei no sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Capítulo IV.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;   O despertador tocou. Eu levantei, desliguei o alarme e ela continuava dormindo com a boca entreaberta. Queria saber pintar. As palavras seriam infelizes, mas vou tentar. Pense numa morena literalmente cor de jambo, olhos castanhos esverdeados, perfeitos lábios carnudos, pernas, bunda e panturrilha inacreditáveis numa mistura de genética favorecida e anos de academia de ginástica. Tudo isso bem ali, vestida somente com minha blusa e deitada de lado esperando o único felizardo com tesão matinal de mijo do mundo que poderia naufragar em tuas carnes atingindo a alma naquele instante.&lt;br /&gt;        _Mais linda do planeta, ta na hora de acordar! - Fui pro lado da cama pra onde seu rosto se virava e quando ela abriu os olhos, eu já tava nu, passando a pica em seu rosto.&lt;br /&gt;         _Que maneira interessante de acordar – Ela foi falando e lambendo a cabeça de meu pau e chupando e botando quase todo na boca. Não sei se essa observação pode sofrer a nítida influencia do conjunto da obra, mas Luana é a mulher que mais sabe chupar pica que conheci em minha vida. Talvez seja por coisas como essa que seu ex-marido queria me matar quando ela o deixou pra ficar comigo. E chupava e lambia meu umbigo e beijava o saco escrotal e voltava pra cabeça e gemia com a pica na boca, algo inenarrável. Tentei retribuir a altura. Tirei o resto de cobertor que a cobria de cima da panturrilha, abri suas pernas e os caleidoscópicos quadríceps e fui chupando aquela bucetinha que mais parecia xoxota de menina moça e ela puxava meu cabelo e eu não agüentei e tive que meter a pica.&lt;br /&gt;          _Ssshhh!!! Quero acordar todo dia assim, aisshss, aiishsss, mete vagabundo, aisssh! Vai! – e arranhava minhas costas e eu tentava controlar a respiração pra prolongar, mas ela veio chupando meu pescoço e minha orelha com aquela boca sublime e com a boca de baixo num popoerismo em contrações constantes, não consegui e gozei. Ela me beijou, limpou o suor de minha testa e me deu um abraço que me fez sentir amado e tive vontade de chorar. Vou te amar até depois de morta mulher. Criatura mágica que transforma a possibilidade de sua ausência em martírio sangrento e o fim das delicias do odor da sua pele em poesia extraterrena!&lt;br /&gt;          _Será que agente fez muito barulho?&lt;br /&gt;          _Êta Lua, esqueci que Raiva ta dormindo aí na sala.&lt;br /&gt;          _E não tem nada pra tomar café.&lt;br /&gt;          _Vá se arrumar que vou descer pra comprar alguma coisa.&lt;br /&gt;     Quando abri a porta do quarto notei que ele não tava na sala. O cobertor dobrado sobre o travesseiro e um bilhete em cima da mesinha de vidro onde estava escrito: Velho Rafa, estou numa barraca de praia em Jaguaribe em frente ao anuncio do Muralha da China, o dono deixa tocar CDs de rock e levei alguns seus como Led, Iggy Pop, The Clash, mas estão em boas mãos. Se quiser tomar uma pode vim que eu pago. Aquele cd do John Coltrane é muito bom. Thank’s for your hospitality. Ele sabia que eu detestava que pegassem minhas coisas e que odiava emprestar. Ao contrário dele que lia um livro e dizia que não precisava mais.&lt;br /&gt;       Desci, cumprimentei o porteiro e andei os oitenta e cinco passos que separam a frente do edifício da padaria do outro lado da rua. Comprei pão, granola, aveia, queijo, ovos, manteiga, presunto e iogurte e quando cheguei em casa, ela remexeu as compras e perguntou com a cara de tristeza.&lt;br /&gt;          _Por que não comprou nenhuma fruta meu amor?&lt;br /&gt;          _O supermercado é meio longe, eu só fui na padaria.&lt;br /&gt;          _Cadê Tom?&lt;br /&gt;          _Saiu desde cedo, deixou bilhete dizendo que foi á praia beber e ouvir rock.&lt;br /&gt;          _Só que os mortais tem que trabalhar. A nós não foi dado o magnífico dom da criação literária.&lt;br /&gt;          _Você acha que quando passo o dia escrevendo naquele computador, não estou trabalhando?&lt;br /&gt;           _Estava me referindo á seu amigo. Você vai dar aula no cursinho á noite, não vai?&lt;br /&gt;           _È claro. Eu ganho por hora. Se não for, não ganho, logo; não consumo, portanto, não existo.&lt;br /&gt;           _Você perde o charme natural com essas piadinhas pseudointeligentes sem sucesso.&lt;br /&gt;           _Obrigado! Mais alguma declaração?&lt;br /&gt;           _Não, já vou trabalhar. Meu beijo! – eu sempre achei mais que superficiais esses beijos de despedida, mas nunca disse isso á criatura afinal, um pouco de normalidade não pode ser tão mau assim. Beijei-a e perguntei se ela ia jantar am casa ou fora essa noite.&lt;br /&gt;           _Vamos jantar em casa. Quem chegar mais cedo começa a preparar, certo?&lt;br /&gt;           _Vou chegar bem tarde.&lt;br /&gt;           _Vai ficar com fome. Tchauzinho!&lt;br /&gt;           _Tchau gatona.&lt;br /&gt;     O dia em Salvador pedia uma praia apesar de ser segunda-feira. O céu estava num azul de deserto sem nuvem e a saudade do mar, e o desejo de resgatar meus CDs, fizeram com que colocasse uma bermuda, uma sandália e uma camiseta e me dirigisse pra referida barraca de praia em Jaguaribe. Não posso beber, tenho que dar aula hoje á noite e quando encontro Tom Raiva, tudo pode acontecer.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-115608546624493793?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/115608546624493793/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=115608546624493793' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/115608546624493793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/115608546624493793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2006/08/captulo-iii-antes-que-ele-comece.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-115396262739143917</id><published>2006-07-26T18:01:00.000-07:00</published><updated>2006-07-26T18:10:27.393-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Com esse blog, o leitor poderá acompanhar a criação de uma bra em prosa onde a literatura, a realidade e o lúdico se encontram em estado de construção e aprimoramento, podendo opinar em ralação ao texto e ao título em aberto. Espero que gostem e deixem seus comentários. Por mais impiedosos que sejam.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-115396262739143917?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/115396262739143917/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=115396262739143917' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/115396262739143917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/115396262739143917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2006/07/com-esse-blog-o-leitor-poder.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-115396193059788532</id><published>2006-07-26T17:54:00.000-07:00</published><updated>2006-07-26T17:58:50.606-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Capítulo I.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;      _E aí, o que você achou do conto?&lt;br /&gt;      _Como cê pode pensar em literatura num momento como esse?&lt;br /&gt;      _Por que não?&lt;br /&gt;      _Sente só o vento, pega no meu seio, isso é a vida!&lt;br /&gt;  Com um sorriso como aquele como não pensar em poesia? Com essas palavras profanadas por lábios capazes de causar guerras e dizimar nações inteiras como não transpor para o literário?&lt;br /&gt;     _O que deve passar agora na mente do poeta? A mulher amada, o cenário deslumbrante. Você consegue pensar nessas coisas sem transforma-las em imagens que podem leva-lo à glória literária?-Ela molhava os pés e olhava pra água aparentemente sem interesse.&lt;br /&gt;     _Um assento ao lado dos imortais nunca foi meu propósito principal, seria bom viver de literatura e vender um monte de livros que nem o Paulo Coelho. As mulheres e os caras de mau gosto adoram escritores como o Coelho e Dan Brow que escrevem de forma simples e tratam de mistério e misticismo em suas narrativas.&lt;br /&gt;     _Cê é mesmo um otário! Tem preconceito com tudo que está em evidencia, como se todos estivessem errados e só você, o venerável poeta, soubesse de todos os mistérios da consciência humana.&lt;br /&gt;    Ela adorava ir de encontro ao meu estilo de vida. Depois de mais algum tempo iria odiar mais algumas coisas até o dia em que me detestará por completo e isso sempre me atormenta. Assim como o guardador de livros Bernardo Soares, ando sempre a prever o fim das coisas e a sofrer antecipadamente. Lembro daquele dia no ônibus. Ela sentou ao meu lado e naquele sólido instante, parecia que ouvia meu coração acelerado. Quando ia puxar conversa, ela pediu ponto. Vi uma aliança em seu dedo, fiquei morrendo de vontade mesmo assim; mulher dos outros tem perfume adrenalínico. Mas já faz três anos e ficamos diferentes. Lua era muito bonita só que a instituição monogâmica é repleta de contradições e sublimações que enterram e desterram certos sonhos.&lt;br /&gt;     _Não vai se molhar não?-suas curvas e o sorriso eram a representação simbólica das atrizes de sex- movies.&lt;br /&gt;     _Vou criança, é que eu gosto de olhar pra ti de biquíni. Sempre gostei de sua bunda.&lt;br /&gt;     _Então vem pegar, ou cê ta virando voyeur?&lt;br /&gt;    Nesse instante interrompemos a conversa e teve início outra linguagem que eu nunca poderia esquecer. Beijei-a como nunca mais a rotina havia permitido e suguei teu seio fazendo movimentos circulares com a língua ao redor do mamilo como manda o figurino.&lt;br /&gt;     _Ahssss.........Deixa eu chupar sua pica!&lt;br /&gt;    Vamos dar um tempo por aqui pra que essa narrativa não pare nas páginas das revistas pornôs de décima oitava categoria.&lt;br /&gt;      A Chapada Diamantina é um lugar realmente bonito, só que sou muito urbanóide e toda a bucólica beleza do lugar começa a me dar tédio. Depois de uma foda das boas vou fazer as perguntas de sempre: Será que vou publicar algo concreto na vida? Meu estilo não é muito parecido com algum escritor consagrado? Como falar de sexo sem que a escrita caia no rótulo de subliteratura?  Minha prosa seria tão boa, ou pior, que as poesias?Por que não largo tudo só pra escrever? E como iria viver?&lt;br /&gt;     È sacanagem ter que acordar ás seis da manhã e chegar no colégio ás sete e falar com a diretora e os professores e pegar a caderneta para mais uma aula de Língua Portuguesa ou Inglesa. Parece que as teorias construtivistas e as leituras sem fim dos textos de Paulo Freire em busca da educação dita revolucionária e humanizada fizeram surgir uma legião de analfabetos no Brasil. Na época do chamado ensino ortodoxo, as pessoas aprendiam, pelo menos, á ler e á escrever. Stephen Dedalus foi submetido na juventude ás mais severas rigorosidades de um ensino católico e retaliador na Dublin de seu tempo e, nem por isso, Joyce deixou de se tornar uma das expressões mais inovadoras da literatura de sua época e de todas as épocas. Esse papo de não ensinar gramática pura, levar musiquinha e teatrinho pra sala de aula e fazer dinâmica de grupo só afasta os estudantes da leitura, da escrita e da Literatura. Não agüento mais falar de Gregório de Mattos, Machado, Castro Alves entre outros escritores pra uma platéia de internautas e fãs de telenovelas.  Deveria existir algum mecenas que me achasse um gênio em estado de lisura e começasse a me bancar em prol da sagrada missão de espalhar minhas baboseiras pelo planeta.&lt;br /&gt;     Só que a árdua tarefa de lecionar tem suas compensações quando, por exemplo, começo a me lembrar de situações nas quais ser professor facilita muito a obtenção dos prazeres imediatos. Há mais ou menos três anos, quando ensinava numa escola suburbana do município de Feira de Santana á noite, havia uma criatura de dezoito aninhos do segundo ano que parecia uma fada perdida num manicômio. Baixinha, bunda perfeitamente arredondada, cabelos pintados de loiro, e aquela boca onde cintilava a volúpia e o brilho do aparelho nos dentes. Numa certa ocasião, quando saía da 7a B, ao descer a escada do segundo pavilhão, tive a imensa felicidade de encontra-la e a sórdida disse:&lt;br /&gt;       _Professor, gostou de minha saia?-ela passava brilho nos lábios e me olhava com uma expressão que misturava timidez e sacanagem.&lt;br /&gt;       _Minha filha, pare com essas brincadeiras que eu tenho problema de coração.&lt;br /&gt;       _Eu resolvo seu problema na hora que o senhor quiser-Eu só tinha vinte e cinco anos, mas até os alunos da terceira idade me chamavam, por respeito, de senhor. Trocamos telefones e ela me convidou pra um show de pagode que ia rolar na Estação da Música e, mesmo com a aversão que tenho á esse tipo de música baiana, não faltei ao encontro.&lt;br /&gt;       Na entrada do show Amanda me deu um beijo que me deixou mais que esperançoso. Lá dentro era a visão do inferno; gente espremida, cerveja quente e aquela música desgraçada que dispensa comentários, se é que se pode chamar aquilo de música. Além da pobreza sonora do estilo, as bandas eram compostas de péssimos músicos em termos de performance e afinação, e olha que não faço muitas exigências em se tratando de “manifestações populares”. Com aquele tipo de representação cultural, o povo baiano se encontra em estado de simplória mediocridade alienante, mas depois de umas oito latas de cervejas quentes, esqueci os acordes e me concentrei no seu rebolado. A recompensa no final foi muito gratificante e ao chegarmos ao meu quarto, quando tirava sua roupa, tive uma espécie de taquicardia e quase não ia conseguir atuar bem em virtude do nervosismo causado pela perfeição das formas daquela criatura. Amanda era o que popularmente se chama “uma coisinha”, e eu jamais poderia perder uma oportunidade como aquela. Tirei sua blusa, a calça justíssima e a miniatura de calcinha e, no instante em que minha boca tocou o monte de Vênus, o feromônio que exalava cuidou do resto.&lt;br /&gt;     Lembrando dessas coisas e vendo Lua deitada despida á minha frente, só posso agradecer á Deus por momentos como este. Professor de escola pública ganha mal, mas tem suas vantagens. Pena a diretora ter descoberto e cancelado meu contrato.&lt;br /&gt;     E Luana continuava largada de bruços na beirada do rio e sua nudez me desesperava e eu queria parar a existência naquele instante em que me sentia acima de todo o contentamento.&lt;br /&gt;  _Tô com muito medo!&lt;br /&gt;  _De quê meu amor?&lt;br /&gt;  _Sei lá, tô me sentindo muito feliz como se, nesse instante, eu fizesse parte da natureza que me cerca e a vida pareceu fazer sentido. As pessoas não estão nesse planeta pra serem felizes, algo está errado.&lt;br /&gt;  _O único erro nisso tudo está em sua mente-Lua levantou e começou a vestir a parte de cima do biquíni só que, ela ficou tão linda somente com a parte de cima que fui forçado a coloca-la de quatro e começar tudo de novo. Esses momentos são o compensatório de todos os aborrecimentos de uma vida conjugal.&lt;br /&gt;   _Me conte uma história.&lt;br /&gt;   _Como assim?&lt;br /&gt;   _Todos os seus amigos ficam deslumbrados com suas histórias, mas se você só tem coisas interessantes pra conversar com eles, deixa pra lá.&lt;br /&gt;   _Cê quer que tipo de história? De putaria?&lt;br /&gt;   _Não, isso agente já fez.Que tal uma tragédia?&lt;br /&gt;   _Não existe mais tragédia em nosso mundo. Um monge que se ateia fogo ao vivo transmitido em horário nobre nas telas de TV é algo absolutamente normal assim como o próximo jornalista a ser esquartejado numa favela carioca. Vou contar uma história meio pastelão, meio policial.&lt;br /&gt;   _Era uma vez...&lt;br /&gt;   _Não há maneira mais interessante de começar não?&lt;br /&gt;   _Agora lembrei de Tom Raiva e vou contar uma das dele. As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, foi o primeiro romance que li na vida e poderia escrever as aventuras de Tom Raiva.O rapaz tem uns poemas meio estranhos. Ele foi seu aluno de teoria da literatura, não foi?&lt;br /&gt;    _Foi sim e os poemas dele são muito bons, melhores que os seus. Não posso dizer melhores, é que os poemas dele têm um vocabulário ao mesmo tempo sujo e erudito e uma sonoridade diferente com imagens estranhas, como num poema dele onde decorei essa estrofe: “Lacrimejam vermelhos como em gás lacrimogêneo/E bocejam entorpecidos, nus, impregnados/Serenas atrocidades de orquídeas defloradas/Gatos que ejaculam em telhados proibidos”.-e por aí vai...&lt;br /&gt;    _Éramos muito amigos na adolescência, estudamos no mesmo colégio e o cara era bem diferente de hoje; magricela, cabelo até o meio das costas, jogava basket e sempre sabia coisas muito á frente da nossa idade. Quando tínhamos quinze anos lembro que ele já citava nomes como Rimbaud, Bandeira, Kerouak, Rosseline, Van Gogh, entre outos. Foi com ele que aprendi á gostar de arte. Aquela criatura tem um papel extraordinário em minha existência me apresentando obras como O Processo, Crime e Castigo, os livros de Miller, filmes de Fellini, David Linch, Orson Welles, e sons como Stones, Zeppelin, Doors, Secos e Molhados, Mutantes, King Krimson, Charlie Parker, e outros lances. Sempre foi muito emotivo. Se gostava de uma garota, dedicava-lhe odes decassilábicas de quatro folhas de caderno e quando éramos oitava série do antigo primeiro grau, o miserável dominava com perfeição as formas clássicas da poesia como o soneto camoniano e falava de Bocage. Na época ninguém pensava em internet e vivíamos no interior. Não sei até hoje como nunca publicou nada. Quando está bêbado, sobe nos palcos da noite soteropolitana e declama algumas.&lt;br /&gt;     _Parece um caso clássico daqueles que só serão lembrados post mortem.&lt;br /&gt;     _Ele ainda é jovem, não tem nem trinta anos.&lt;br /&gt;     _Mas é romântico, briguento e tem tendências suicidas.&lt;br /&gt;     _Ele fala aquelas coisas da boca pra fora, jamais teria coragem, apesar da aversão que tem ao catolicismo e ao protestantismo, acredita em seres extraterrenos, magia, candomblé e essas ondas. Diz que não precisa de padre e que o contato dele com o ser supremo é algo direto, como esses caras que falam sozinho. Na minha opinião ele se dirige á sua consciência arrependida e desesperançada e não á Deus.&lt;br /&gt;     _Você um dia irá acreditar.&lt;br /&gt;     _Os únicos que morreram e ressuscitaram foram Cristo e Lázaro e eles não contaram nada sobre o além-vida nas escrituras sagradas. E pare com essas coisas de um dia você acreditará. Parece esses crentes idiotas que ficam repetindo: “Jesus está voltando”. Se um dia ele voltar será, com certeza, pra notar que seu sacrifício por nós foi em vão e agora irá eliminar todos esses imbecis da face do planeta. Quando tínhamos cerca de dezessete anos, fingíamos que éramos religiosos, chamávamos todos de irmãos e íamos pra igreja batista se dar bem com as lindas e semianalfabetas evangélicas. Minha avó se mudou pra minha casa, a sua casa ficou vazia e íamos lá levar umas garotas, fumar um baseado, tomar umas biritas e, era na casa da vovó que nos finais de semana, rolava o ensaio da banda de rock de Tom Raiva. Lembro que era dia de chuva e eu me armei com uma moreninha de uns dezesseis anos, parecia uma índia.&lt;br /&gt;      _Me poupe dos detalhes.&lt;br /&gt;      _ São esses tipos de detalhes que fazem com que meus amigos vibrem com minhas narrativas. Por isso não gosto de te contar...&lt;br /&gt;    Ela me interrompeu de uma forma que dissimulava ciúmes.&lt;br /&gt;       _Vá lá, continue sua história.&lt;br /&gt;       _Ta certo. Eu fiquei com essa guria e Raiva com uma negôna da bunda enorme.&lt;br /&gt;       _Do jeito que ele gosta. Só ele não, você também.&lt;br /&gt;       _Se me interromper novamente não conto mais nada. Quando eu tava começando o aquecimento na sala, ouvi um grito e a porta do quarto se abriu com Tom arrastando a evangélica nua pelos cabelos. Colocou-a peladona mesmo na porta da rua e jogou a roupa dela pela grade.&lt;br /&gt;       _E você não fez nada?&lt;br /&gt;       _Eu tentei acalmar a amiga que estava em pânico e também foi embora.&lt;br /&gt;       _É claro. E ele fez isso por quê?&lt;br /&gt;       _Me contou que a figura era a maior safada. Uma pecadora por vocação. Com apenas um beijo ele já foi tirando a roupa da criatura, chupou a boceta, colocou o pau na boca da serva do Senhor que prontamente serviu e, segundo ele, quando deu a primeira metida, a menina se afastou, apertou seu pau e disse: “ainda é tempo de se arrepender, arrependei-vos e crede no evangelho”.&lt;br /&gt;       -Ha, ha, ha, ha, qui,qui, qui, qui, ha, ha, ha...-Luana ria frenéticamente, a cara toda vermelha.&lt;br /&gt;       _ Cuidado pra não explodir!&lt;br /&gt;       _Pare filho, que eu num guento mais rir. Quer dizer que senhor Tom melou sua foda?&lt;br /&gt;       _ Cê falou de uma maneira muito vulgar agora.&lt;br /&gt;       _Pronto, era só o que faltava. E depois?&lt;br /&gt;       _O pai da menina deu queixa na policia e ele só não foi preso porque era de menor. Sempre foi bom contador de histórias. Disse que no dia no qual foi intimado, contou o caso de uma forma tão veemente que o delegado riu e depois teve de pedir desculpas ao pai da garota que estava presente com ganas de estraçalha-lo. O confronto entre o pai e o irmão da figura contra Tom Raiva só aconteceu um certo tempo depois.&lt;br /&gt;      _E nessa época Tom já lutava Jiu-jitsu?&lt;br /&gt;      _Estava começando e acreditava que tinha poderes acima dos outros, que podia liquidar uma pessoa comum, ou seja, quem não praticava o Jiu-Jitsu. Hoje ele acredita que um homem comum é aquele que não tem seu conhecimento ou inteligência. È um maluco. Tem umas teorias de supremacia dos escolhidos pelos dons do espírito e da consciência, uma espécie de Raskólhnikov pós-tudo.&lt;br /&gt;      -Olha só que contradição. Se o pai da menina era evangélico, como é que foi procurar encrenca com Tom?&lt;br /&gt;      _Tem momentos em que decorar certos versículos e repetir as palavras do pastor não é o bastante para acalmar a fúria de um pai que não encontrou solução nas vias legais e acha que Deus ordena que tome uma posição. Esqueceu meu bem, “Olho por olho, dente por dente”?&lt;br /&gt;      _Então, me conte sobre a briga.&lt;br /&gt;      _Isso já é outra história.&lt;br /&gt;      _Please honey, tell me the story.-Quando Luana falava algumas expressões em língua inglesa, seu semblante assumia uma forma ao mesmo tempo sexy, perversa e antipática. Uma loucura.&lt;br /&gt;      _Vá na barraca pegar o licor. Traga um copo cheio, um beijo e eu penso em te contar o resto-A barraca de camping ainda tava com gotas de chuva da noite anterior.&lt;br /&gt;      _Muito caro você querido. Só vou porque sou muito curiosa.&lt;br /&gt;      _Eu disse que ia pensar em contar. Jamais comente essas coisas com ele, cê sabe que o cara é estressado.&lt;br /&gt;      _Ta com medo é?&lt;br /&gt;      _Só por isso não vou contar.&lt;br /&gt;      _Já tô indo pegar o licor, vai fumar?&lt;br /&gt;      _É claro. Por que ao invés de um simbolista do início do século passado como Da Costa e Silva, você não fez um estudo de minha obra como tema de sua pesquisa?&lt;br /&gt;       _Você ainda não é canônico meu bem. Só poucos artistas e escritoriozinhos sem grana conhecem seu único livro de poesia publicado. Sua prosa não obedece á uma organização sistemática pra que possa ser editada. E aí, vai contar sobre a briga de nosso amigo?&lt;br /&gt;       _Você é muito jovem e presunçosa. Só porque citou uma pilha de gente que escreveu e pensou na mesma coisa que você para que pudessem legitimar sua monografia e te deram, aos vinte e nove anos, o título de Doutora em Teoria da Literatura, não significa que cê saiba algo de fato. Sua noção de literário enquanto arte é muito dissociada da vida e do chão onde os autores das obras citadas em seu trabalho pisaram, construíram e sonharam a verdadeira Literatura. Qualquer um é doutor hoje em dia mesmo sem ter lido clássicos como Cervantes, Homero, Vieira, Joyce, Kafka, Dante Alighieri, etc. Se pessoas como vocês são considerados Doutores eu, sem megalomania, deveria receber o título de Marquês em Literatura.&lt;br /&gt;        _Pena que não se alcança um título lendo, conversando, nem escrevendo ou declamando poemas para a imortalidade. É preciso disciplina e trabalho; coisas que você detesta.&lt;br /&gt;        _Mesmo irritada a menina não perde a pose. Como dizia o velho Lobão: “Existe sempre alguma coisa por trás de quem posa, mas ela posa bem”.&lt;br /&gt;         _Vai contar ou não vai?-Lua fazia aquela familiar careta que significava que estava perdendo a paciência e, se eu não começasse a contar rapidamente, iríamos começar uma briga com certeza.&lt;br /&gt;         _Muito bem, o combate de Tom Raiva. Dias antes da luta entre os três, vale ressaltar que o pai da menina havia cruzado com ele e, no instante em que olhou pra nosso amigo, ele perguntou prontamente: “Ta me achando bonito coroa?”. O cara era muito insolente e desaforado e o pai da figura não lhe deu nenhuma resposta. Quando Luís de Camões escreveu O Desconcerto do Mundo, ele se referia ás injustiças sofridas pelo homem de bem, enquanto os embusteiros e facínoras levavam vida de reis e sempre se davam bem. A justiça cósmica e universal deveria estar ao lado do pai ultrajado e sua filha, mas não foi isso que aconteceu. Assim como Camões, nosso anti-herói era poeta e arruaceiro e, no instante em que o pai da menina deu a primeira paulada na cabeça de Tom Raiva, ele correu na direção do homem e seu filho também se aproximou com outro porrete em mãos na rua que dava pra referida igreja batista. Eles só não sabiam que quando enfurecido, nosso protagonista chegava a ponto de deslocar algumas articulações do oponente e desfigura-lo sem deixar de chorar e se arrepender, pedindo a Deus que o perdoasse depois do ocorrido. Após a paulada, Tom Raiva foi primeiro na direção do filho, fez que ia dar um soco e, quando o irmão da evangélica desferiu o primeiro e único golpe de porrete, ele se esquivou, abraçou e derrubou o infeliz e aplicou um estrangulamento que os lutadores de Jiu-jitsu chamam mata-leão. Enquanto estrangulava a vítima, o pai desesperado tentava soltar o filho dando uma mordida nas costas de Tom que, depois de deixar o cara inconsciente, voltou sua ira para o pai em estado de choque.&lt;br /&gt;          _Meu Cristo, como uma pessoa tão instruída pode ser capaz dessas perversidades?&lt;br /&gt;          _Não sei, o que sei é que ele abraçou as duas pernas do coroa na altura do joelho, levantou-o ao máximo e o jogou no calçamento de cabeça. Raiva teve que ficar em Salvador na casa da avó por mais de dois anos depois do incidente pra escapar de conseqüentes revanches ou problemas com a justiça. O pai da guria tomou mais de quarenta pontos na cabeça e, voltando ao momento da luta; depois de estatelar o progenitor, ele se voltou para o filho que acabava de recobrar a consciência, aplicou-lhe um outro estrangulamento e, quando desacordou o oponente, quebrou o pé e deslocou o ombro do rapaz. Só lembro que ele chegou na rua com a cabeça sangrando e as costas da camisa verde ensopada de sangue em virtude da mordida e gritava: “podem me chamar de Wolverine, o predador de crentes”. Muitas de suas histórias eram realmente fantasiosas, ninguém jamais saberia se tinha se passado aquilo de fato, ou se o maior contador de histórias do planeta estava incrementando como sempre. Quando me disse o que tinha rolado, fiquei mais admirado ainda. Normalmente fui meio covarde e sua bravura sempre me deu um pouco de inveja.&lt;br /&gt;        _Não há maior bravura que assumir a covardia. Nosso amigo é inteligente e muitíssimo arrogante. Mesmo errado, nunca dá o braço á torcer, o desgraçado. Parece uma pessoa meiga com aquele olhar caído e angelical. Quem o visse pela primeira vez nunca acreditaria em situações como essa. Deve ser por esse tipo de coisas que sua mãe detesta o cara.&lt;br /&gt;        _Sem dúvida.&lt;br /&gt;        _Me conta outra.&lt;br /&gt;        _De Tom Raiva?&lt;br /&gt;        _Pode ser. Que tal uma sua?&lt;br /&gt;        _Primeira pessoa é?&lt;br /&gt;        _Que é que tem? Algum problema com pronome?&lt;br /&gt;        _Absolutamente. Posso colocar pseudônimo e contar na terceira pessoa?&lt;br /&gt;        _Que nome escolheria?&lt;br /&gt;        _Deixa pra lá, vamos á experiência autobiográfica.&lt;br /&gt;        _Era uma vez...&lt;br /&gt;        _Pare com isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-115396193059788532?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/115396193059788532/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=115396193059788532' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/115396193059788532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/115396193059788532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2006/07/captulo-i_26.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31725588.post-115396158538796715</id><published>2006-07-26T17:50:00.000-07:00</published><updated>2006-07-26T17:53:05.393-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Capítulo II.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;   Alguns minutos depois, tomamos um improvisado café da manhã, desmontamos acampamento e fizemos a trilha de volta a Lençóis onde iríamos pegar um ônibus pra Feira de Santana e de lá, um outro até Salvador. Apesar de não simpatizar com a ética e a estética artística soteropolitanas, alguma coisa me prende àquele lugar. Pode ser as inconscientes recordações da infância, o surpreendente cheiro de salitre e as beldades na areia e o mar. Não ha rio nem cachoeira que se compare a tua beleza. Iemanjá, Poseidon, Netuno, Ogum Marinho, me esperem que eu chego com saudades desse poluído odor de Jaguaribe, Ribeira, Itapoá, Porto da Barra, Rio Vermelho, Jardim de Alá. Acredito que jamais conseguiria permanecer muito tempo longe de Salvador. Aceito e me encaixo perfeitamente no rótulo de verme de Brotas, bairro onde aprendi a amar, mentir e sentir como se pudesse absorver tudo que me cercava como se fosse a última vez. Lembro que numa certa ocasião, quando caminhava pelas ruas do Matatú de Brotas, me veio a nítida sensação, aos onze anos, que iria morrer um dia e, já que iria morrer, será que tinha que fazer o que sempre fiz? E todas as pessoas que sabem disso não se desesperam? Já que é pra morrer, pra que porra nascemos? Pensamentos de criança que nunca me abandonaram. Foi nesse período que comecei a me sentir um estrangeiro, não como o de Camus. Um estrangeiro que ama uma cidade que acredita só ele poder enxergar. Sempre fui presunçoso.&lt;br /&gt;     A viagem de volta á Feira de Santana foi angustiante. A estrada era péssima e as pessoas contavam suas histórias sobre o mesmo assunto: que haviam sido assaltadas nesse mesmo trecho. Os assaltantes se aproveitavam da baixa velocidade dos ônibus por causa do estado da pista e deixavam as pessoas somente com a roupa do corpo. Luana começou a ficar nervosa e eu tentei acalma-la:&lt;br /&gt;        _ Não vai acontecer nada. Se acontecer, temos pouquíssimo dinheiro e geralmente, quando antecipamos algo que tememos, esse algo jamais acontece. Vai por mim.&lt;br /&gt;        _Ok, se um cara aponta uma arma pra minha testa e diz que vai atirar e, se antes que ele aperte o gatilho, eu antecipar o fato, temendo e imaginando a bala transpassando meu cérebro, isso não irá ocorrer. Odeio superstições imbecis. Era melhor você ter ficado na sua.&lt;br /&gt;        _Ta bom, então fique aí sofrendo que eu vou dormir, são sete da noite e só me resta tirar um cochilo.&lt;br /&gt;        _Não sei como consegue dormir com esse ônibus balançando pra lá e pra cá.&lt;br /&gt;        _Técnica faquir.&lt;br /&gt;        _Me abrace que eu tô morrendo de frio. O ar condicionado do busú ta muito forte-Nesses momentos sua feição de menina contrastava com a arrogância que muitas vezes aflorava em sua personalidade. O título de Doutora em Teoria da Literatura pela UNICAMP havia enaltecido sua pompa e ela perdia aquela simplicidade de guria do interior que sempre me encantou. Será que estou com dor de cotovelo por ser um professorzinho sem título pensando que é escritor?&lt;br /&gt;     Pela janela do ônibus deflagrava-se um céu onde a via-láctea parecia cocaína batida em mesa de mármore preto e eu tentava enganar minha fome bebendo água mineral enquanto chegava o próximo ponto de apoio.&lt;br /&gt;    Uma editora se interessou por alguns de meus contos e perguntaram se eu conseguiria escrever um romance denso e ao mesmo tempo empolgante sem cair no tédio dos romances de agora. Eu aceitei. Os idiotas só não sabiam é que eu iria pegar alguns contos, criar situações de relação entre eles, substituir os nomes de alguns personagens dividindo os contos em capítulos e encadeando as histórias. Sempre quis escrever um romance de capítulos bem curtos como os da fase realista de Machado de Assis, mas com o prazo que me deram, isso ficará pra uma outra ocasião.&lt;br /&gt;   Gosto mais de meus poemas que da prosa. As pessoas acham o contrário e acredito que seja pela falta de hábito com a linguagem poética. Parece que a poesia está com os dias contados. Pelo menos os poetas, que se autoproclamam entendedores de poesia, gostam. Pena que meus poemas não tenham poetas como público alvo. Às vazes penso que não tenho público alvo e esse público seria constituído de muitas réplicas de minha pessoa. No fundo, cada escritor escreve pra si mesmo. Espero que eu goste do que escrevo pra mim.&lt;br /&gt;    Quando chegar no apartamento vou pegar uns cascos e comprar umas cervejas no trailer da rua de baixo, colocar The Heart of Saturday Night de Tom Waits enquanto os carros deslizam como hemoglobina na Dom. João VI em artéria escancarada. Sorte que o ônibus parou num ponto de apoio e pude comer uma esfírra de carne detestável pelo triplo do preço. Lua preferiu ficar dormindo na poltrona 47, toda coberta e com uma touca na cabeça. Quando penso que quase enlouqueci por essa mulher e vendo-a adormecida com essa cara de ninfa celestial, me conformo com o fim que a tudo abraça e me acalmo. Em casa é só o carpe diem absoluto embalado por Tom Waits ou The Walkabouts. Como um assassino premeditando o crime perfeito, imagino a trilha sonora, as carícias, de como tenho que prender o gozo e variar e ser eternamente o fodão e príncipe perpétuo e anjo-dono e pai querido.&lt;br /&gt;     Entro no ônibus me dirigindo a metrópole baiana, ela continua dormindo e me pergunto: Será que toda vez tenho que faze-la gozar? Tem que ser sempre inesquecível? Ela finge pra mim? É claro, elas sempre fingem, afinal nós homens é que jamais podemos fingir. Como dizia o antigo porteiro de um prédio de um brother no Engenho Velho da Federação: “O brinquedo delas é de abrir e o nosso é de armar, é mais difícil”.&lt;br /&gt;     Tenho que parar de ter ciúmes e esses sentimentos medievais de posse. Se um dia o cara chegar, se é que nunca chegou, e “montar em minha bicicleta”, não posso me desesperar. Já passei por isso numa outra situação, só que sou louco por essa criatura. Dizem que tem caras que sentem tesão ao verem a esposa sendo enrabada por outro maluco. Sou meio antiquado e egoísta e a industria pornô ainda não mudou minha concepção de relacionamento. Será que é pelo fato de o título acadêmico parecer vir acompanhado de uma espécie de título de nobreza? Ela dá aula na universidade, dorme dois dias em Feira de Santana e é linda de matar. Pensando nas mulheres casadas que já conquistei, inclusive a própria, começo a ter uma espécie de arrependimento, mas história de adultério não seria o foco principal dessa narrativa. Existe uma coisa pior que a mentira e o desprezo: a inutilidade. Preciso escrever, ter disciplina, Luana tem razão. È só sentar á frente do computador e as imagens começarão a aparecer. Computador pra mim é somente uma maquina de datilografar com mais recursos. Ela nunca mais leu o que ando escrevendo, nem ela nem ninguém.&lt;br /&gt;     Lua me acordou quando já chegava na rodoviária de Salvador.&lt;br /&gt;        _Vamos comer aonde?&lt;br /&gt;        _Tava pensando em pegar umas cervejas e fazer algo em casa mesmo.&lt;br /&gt;        _Uma da manhã e estamos viajando há quinze dias. Não tem nada em casa. Vamos pensar num lugar pra jantar Rafael, tô morrendo de fome!&lt;br /&gt;        _Vamos naquele restaurante chinês na Cidade Baixa.&lt;br /&gt;        _Boa idéia.&lt;br /&gt;    Tomamos um táxi na rodoviária e Luana foi logo chiando:&lt;br /&gt;        _Bandeira dois! Faz um menos aí meu tio?&lt;br /&gt;     O taxista, um senhor calvo, magro, moreno e grisalho, sorri e cedeu aos caprichos da guria. Aquela sovinice de Luana me estressava. Tinha pena de gastar com tudo, menos com roupas. Comprava roupas de grifes caríssimas e falava num mundo mais justo. Ninguém é perfeito.&lt;br /&gt;      Paramos, ela pagou e fomos sentar na última mesa perto duma imensa gravura dessas paisagens orientais repletas de vulcões e árvores de copa vermelha. Um descendente de chinês creio, veio nos atender e antes que ele trouxesse o cardápio, Lua foi logo interpelando:&lt;br /&gt;       _Uma jarra de saquê e um rolinho de queijo.&lt;br /&gt;       _E o senhor?-Ele falava fazendo uma espécie de reverencia típica dos orientais. Detesto essas palhaçadas.&lt;br /&gt;       _ Eu vou querer um rolinho de carne com repolho e meu saquê é quente.&lt;br /&gt;       _E o meu gelado.&lt;br /&gt;       _E para jantar?- O sacana perguntava fazendo aquela porra de reverencia.&lt;br /&gt;       _Eu quero família feliz.&lt;br /&gt;       _É mesmo gatinha! Uma família feliz borbulhando no tacho meu brother!&lt;br /&gt;       _É pra já.- Nem precisa dizer que o garçom fez a reverencia novamente antes de levar o pedido. Família Feliz é um prato realmente completo com macarrão, camarão, carne de boi e frango desfiados, carne de porco em cubos, ovos de codorna, cenoura, acelga chinesa em fatias finíssimas, castanha e um delicioso molho a base de soja e coberto por um pouco de molho agridoce. Adoro essa comida altamente protéica. Nunca fui muito fã de comida de restaurante japonês, sempre me amarrei em chinesa, tailandesa. Queria experimentar algumas mulheres típicas de determinados países, assim como a comida. Que besteira! Mas nem só de conflitos de um gênio angustiado vive a literatura, è preciso amor, tesão, escuridão e luz como um plasma em simbiose com essa droga de existência.&lt;br /&gt;     Chamamos um táxi e fomos pra casa. Na porta do prédio se encontrava meu velho amigo Tom Raiva.&lt;br /&gt;       _E aí grande figura, que é que cê ta fazendo aqui essa hora?&lt;br /&gt;     Ele chegou mais perto pro porteiro do prédio não ouvir e falou:&lt;br /&gt;       _Me deixe entrar que os homens da lei tão atrás de mim. Fiz a maior merda essa tarde. Deixe eu dormir aqui essa noite pra escapar do flagrante.&lt;br /&gt;       _E aí Raiva como é que ta?&lt;br /&gt;       _Beleza Lua. Beleza não, mais ou menos.&lt;br /&gt;       _Pra variar.&lt;br /&gt;     Tom se voltou pra mim e perguntou:&lt;br /&gt;        _Será que ela não vai pirar se eu me jogar aqui essa noite?&lt;br /&gt;        _Com certeza vai, mas fazer o quê? E aí, que caralho você fez dessa vez?&lt;br /&gt;        _Lá em cima eu te conto&lt;br /&gt;        _Você ta perto de fazer trinta anos meu velho.&lt;br /&gt;        _Só tenho vinte e sete.&lt;br /&gt;        _Hendrix morreu com essa idade. Gosto até do que você escreve, mas pra ser um Jimi Hendrix da literatura você vai ter que evoluir ainda mais.&lt;br /&gt;        _Sabe aquele centro?&lt;br /&gt;        _Que centro?&lt;br /&gt;        _O centro do seu cu? Vá tomar no centro do seu cu!&lt;br /&gt;    Com essas palavras lisonjeiras de nosso herói, será melhor por fim a esse capítulo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31725588-115396158538796715?l=folhetimnanet.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/feeds/115396158538796715/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31725588&amp;postID=115396158538796715' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/115396158538796715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31725588/posts/default/115396158538796715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhetimnanet.blogspot.com/2006/07/captulo-ii_115396158538796715.html' title=''/><author><name>Antonio Diamantino Neto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05737804093036721874</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
